domingo, 15 de março de 2015

Liberalismo, Neoliberalismo, Socialismo e Comunismo quando surgiram eram apenas palavras associadas a períodos históricos de uma terra e tempo distantes. Nunca os aprendi como deveria.


Alexandre Beck | Reprodução Facebook
Armandinho - Alexandre Beck | Reprodução Facebook

Que história nos levou até aqui? Que caminhos percorremos ou deixamos de percorrer para, 30 anos depois, estarmos novamente aqui? Impeachment. Evidente que os tempos são outros, as pessoas são outras, os movimentos são outros (mesmo em suas semelhanças). Mas, sempre, deve-se perguntar: Por que? Para que? Para quem?

Fomos ensinados desde pequenos a participar de uma democracia representativa, quando muito! Nos habituamos a ideia de que a política se faz nos púlpitos do congresso e do senado, nos salões das câmeras de vereadores e nos gabinetes presidenciais. Das primeiras campanhas eleitorais que tenho lembrança – municipais – fixam-se os debates que discutiam fervorosamente em torno das qualidades pessoais dos candidatos, jamais de suas ideologias políticas. Quando criança, quase nunca ouvi falar de planos de governo, avaliações sérias das obras e mandatos e muito menos de formas de participação da sociedade civil na esfera pública. 

Com frequência ouvia que “política” era algo “nojento” e que todos os políticos eram “iguais” e as eleições eram apenas uma forma obrigatória de tentar escolher “o menos pior”. Nos tornamos fatalistas quanto a política e sua possibilidade de ser instrumento de discussão do público, a serviço do povo e para melhoria da vida de todos. Não aprendi política na matriz curricular da minha escola e diria que mal aprendi História. Liberalismo, Neoliberalismo, Socialismo e Comunismo quando surgiram eram apenas palavras associadas a períodos históricos de uma terra e tempo distantes. Nunca os aprendi como deveria.

A ideia de um poder que se dividia em Legislativo, Executivo e Judiciário também só surgiria muito tempo depois. Sempre foram todos “iguais”. E se as coisas iam mal, não importava! Há apenas um responsável: o presidente. Nunca me explicaram os efeitos que se tem em um país que passou de colônia para império, deste para monarquia, desta para uma curta república, para então uma ditadura que apenas a pouco tempo transformou-se emuma real (?) democracia.  Não aprendi que existiam outras formas de viver em que a desigualdade não fosse uma realidade natural e em que política fosse uma coisa de todos. Isso é imaginação dos tolos!

Alguns querem acreditar que existe uma personalização do mal na figura de alguns políticos. É mais fácil lidar com isso. Mais fácil porque a solução seria igualmente simplista: basta retirar o governante corrupto e o problema estará resolvido. Isso não exigiria mais de mim, nem do meu cotidiano. Alguns embarcam nessa movimentação porque não aprenderam o suficiente com a história ou apenas não conseguem lidar com a pluralidade de vozes que uma democracia requer. No fundo, ignoram que o sistema político é corruptor e que precisamos de um novo jeito de fazer política (e não confundam essa frase com o jargão político de outra candidata aí).

Existem centenas de debates que são essenciais de serem realizados e que precisam contar com a participação popular: reforma política, democratização da mídia, laicidade do Estado, Direitos Humanos, Educação e poderia citar ainda tantos outros. Esses debates não requerem gritos desesperados e ruídos sem direção. Requerem discussão séria, participação nos diferentes conselhos e esferas públicas de discussão política. Requerem comprometimento real em ser parte integrante do movimento que gerará mudanças.

Isso é um caminho que exige dedicação, esforço e tempo e não sei se há interessados nesse tipo de solução. Está na hora de aprender todas essas coisas que não foram ensinadas. Ao final desse processo poderemos ainda discordar. O conflito será sempre motor na política. Mas as decisões serão resultado de uma discussão ética comprometida com o bem comum e que não são alguns que realizam por nós, mas sim a expressão real de vozes pensantes e críticas.

Arnaldo dos Anjos

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