Por trás de apelidos carinhosos, anorexia e bulimia nervosas escondem sua face mais tenebrosa: os sérios riscos à saúde física e mental, principalmente, de adolescentes
Parte 1 - A autoimagem distorcida
"Ana e Mia são um estilo de vida" é uma frase comum das pessoas que se dizem “adeptas” das doenças, em comentários online. A frase acima foi tirada de um dos inúmeros sites - facilmente encontrados pelas palavras chave - que, além de darem informações sobre as doenças, apoiam e oferecem ajuda para quem quer ter ‘Ana e Mia’ como "amigas".
A anorexia, que provoca perda de peso exageradas, que não são recomendadas para altura e idade; e a bulimia que é o ato de ingerir alimentos descontroladamente e vomitar após as refeições ou até de ingerir laxantes para não contabilizar calorias e gordura, fazem parte da realidade de muitas mulheres, em sua maioria, adolescentes que procuram um ideal de beleza e que não estão satisfeitas com seus corpos.
O "ideal de beleza" já discutido por mim aqui e por milhares de outros escritores, é tão irreal e tão subjetivo, mas infelizmente, ainda influencia muito a forma como as pessoas se veem no espelho.
Muitas vezes, os casos não começam com o desejo interno de mudança. A vontade de emagrecer surge a partir de pressão da própria sociedade que é inquisitiva em falar para todos que entrem em um padrão. As piadas, os comentários sobre o peso, sobre como você tem que estar, se vestir, se portar, os conselhos disfarçados de preconceito, distorce a visão quem escuta e é julgado e então, começa a busca pelo corpo perfeito.
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| Imagem retirada do Tumblr Ossos de Cristais, que incentiva adolescentes a se tornarem adeptas da magreza extrema |
Engana-se, porém, quem acredita que essas doenças se limitam ás mulheres. Os homens, ainda que em menor parcela, também sofrem com o transtorno alimentar.
Umas das mais recentes buscas é a chamada "Barriga negativa", que começou com a modelo da Victoria’s Secret, Candice Swanepoel. A barriga negativa consiste basicamente em deixar o nível da barriga menor que os ossos do quadril. O problema não está exatamente na modelo, mas sim, no que as pessoas viram a partir dela.
Em um site, encontrei fotos que são consideradas inspiração. Umas dessas fotos, era de uma mulher muito gorda de um lado do sofá e do outro lado, uma mulher bem magra. Com a foto vinha a frase "O que você prefere ser? A decisão é sua." Outra, ainda mais assustadora, mostra em animação uma menina passando a mão pela barriga que praticamente já nem existe. Vemos ossos e a tristeza de que alguém veja nisso algo de saudável e beleza.
Eu que sofri também com as imposições da sociedade, não referente ao meu peso, mas em relação a minha aparência em outros sentidos, sei o que é se sentir para baixo, ter vontade de sumir por tempo indeterminado e sei o que essas imposições podem fazer com a cabeça de uma menina na faixa dos 12 anos.


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