quinta-feira, 5 de março de 2015

Compreender que o estupro ocorre mesmo quando não há violência física é um passo importante na sua desnaturalização




Vivemos em uma estrutura social patriarcal que  nos educa sexualmente de maneira a naturalizar práticas sexuais abusivas e violentas. Exemplo disso é a recente chuva de aplausos que Alexandre Frota recebeu ao encenar, em um canal da televisão aberta de alcance nacional, o estupro que cometeu contra uma Yalorixá[1].

No caso do ovacionado estuprador, houve violência física durante o abuso, a ponto de fazer a vítima desmaiar por asfixia. Mas nem sempre é assim. Muitas pessoas são estupradas mas não reconhecem que foram vítimas devido à naturalização do abuso perpetuada por programas como o Agora É Tarde. Entre outras situações, o estupro ocorre:

- Toda vez que você faz sexo sem desejo genuíno de fazê-lo

- Toda vez que o cara força alguma situação ou ação sexual que não te dá prazer (como sexo anal, ou grupal) ou que você simplesmente não queira fazer

- Sempre que o cara não se importa em lhe proporcionar prazer, usando seu corpo para a satisfação sexual exlusivamente dele

- Quando o cara transa contigo enquanto você dorme ou está sob o efeito de álcool, maconha, e afins

- Quando o cara usa violência física ou psicológico durante a transa dizendo que isso é sadomasoquismo (BDSM) [2]

- Quando você está num relacionamento abusivo [3]  que faz você se sentir frequentemente culpada, insegura, dependente e obrigada a corresponder às expectativas (inclusive sexuais) dele.

Perceba que nem senpre há violência física nas situações de abuso sexual. Por causa disso muitas vítimas não percebem que estão sendo estupradas e quando percebem não denunciam, porque não há como apresentar provas corporais do abuso. Mas não nos calemos! O acolhimento das vítimas pode e deve ser feito por instituições e coletivos que lutem por Direitos Humanos, sem a exigência de que elas se exponham ou formalizem denúncia junto ao Poder Judiciário.

 Compreender que o estupro ocorre mesmo quando não há violência física é um passo importante na sua desnaturalização. Estejamos unides na luta contra o estupro, que é uma pauta feminista, negra, intersexo, LGBT e anticapitalista, e de todos os movimentos que lutem pela autonomia sobre nossos corpos e sexualidades.

[1] Assista na íntegra a entrevista clicando aqui.
[2] BDSM não é violência, entenda a diferença aqui.
[3] Assista este vídeo para saber se você está num relacionamento abusivo.










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