domingo, 15 de março de 2015

Para sorrir e chorar; para se reconhecer, para admirar-se com artes gráficas belíssimas, Ao Haru Ride é um título que se torna ponto fora da curva dos Shoujos atuais


[Plantel principal, por assim dizer...]

Olá novamente, queridos viajantes dO Trem! A roda funcional da vida segue seu curso, e algumas vezes conseguimos olhar com mais atenção algo que pela segunda vez se apresenta para apreciação. Consegui este feito com esta obra, e ela se tornou uma das obras do coração pra mim! Apresento-lhes Ao Haru Ride!

Trombei com essa obra acidentalmente nas minhas viagens pelo mundo [não tão] magnífico da internet. Li o primeiro capítulo e até gostei do plot, mas não me atentei ao nome da obra e ela se perdeu no limbo da minha memória. Tempos depois, mais uma vez ela estava destacada nos portais de leitura de mangá online que acesso, lembrei-me dela e retomei a leitura. Decisão acertada!

Ao Haru Ride [ou Aoharaido para os mais chegados] é uma obra que pode ser classificada como mangá ‘Shoujo’, direcionada ao público feminino infanto-juvenil. Como nunca fui muito de dar valor para rótulos, já chorei, sorri e refleti com muitas obras consideradas Shoujo. A primeira coisa que Aoharaido demonstra logo de cara é o talento de sua autora, IoSakisaka, em desenhar. As linhas das personagens são suaves e concordantes. As cores, quando usadas, são também suaves, no estilo aquarela. A expressão das personagens é sempre clara e muito emocional.

Mas, mesmo um ótimo design de personagens e uma grande colorização não sobrevivem a um roteiro parco. Felizmente, este não é o caso de Aoharaido. Em minha opinião, a obra passa longe de um Shoujo comum nesse sentido.

O roteiro segue a vida escolar de YoshiokaFutaba, garota que no passado sofreu discriminação e afastamento por ser considerada ‘fofa’ pelos garotos de sua escola. Esse acontecimento criou um trauma tamanho em Futaba que ela se tornou a antítese da garota desejada: Rude, desleixada, um pouco mal-educada. Assim ela passou a ter companhia feminina sempre e a chamar pouca atenção masculina. Futaba não percebe, mas um grande efeito colateral de seu comportamento é que ela acabou por não ter mais nenhum amigo ‘verdadeiro’. As garotas que a acompanham a usam para parecerem mais atraentes em detrimento dela.

[Capa da primeira edição brasileira | Reprodução Panini]
Quem a faz abrir os olhos é MabuchiKou, garoto que estudava na mesma escola que Futaba quando ela ainda era ‘fofa’. Kou foi o único garoto que Futaba gostou na vida, mas devido a desentendimentos ela não pôde se declarar. O Kou dos tempos atuais é extremamente diferente do passado, sendo sempre duro, direto, por vezes agressivo.Mesmo seu nome mudou: antes Tanaka Kou, hoje MabuchiKou, graças ao divórcio de seus pais. Desinteressado em construir relações, ele logo explica que gostava de Futaba no passado também, mas hoje seus sentimentos mudaram.

Futaba reluta em abandonar sua máscara por medo de mais uma vez machucar-se, mas uma nova aluna a ajuda a entender seus sentimentos: Trata-se de YuuriMakita, que apesar de sofrer da mesma discriminação por parte das demais garotas da turma que Futaba sofreu, ergue a cabeça e rebate as críticas, não deixando de ser quem é. Admirada pela atitude de Yuuri, Futaba se aproxima da garota e se torna sua amiga. Mais tarde, o grupo principal se fecha com a adição de dois membros que também transbordam transparência de espírito: MuraoShuuko e AyaKominato [Aya, aliás, um dos personagens com quem mais me identifiquei nos últimos tempos].Aya é apaixonado por Murao, que por sua vez é apaixonada por Tanaka Yoichi, professor da escola onde grande parte da estória ocorre e irmão mais velho de Kou.

Falar mais do que isso entregaria muitos spoilers, mas o que posso dizer é que Aoharaido entrega com primazia o desenvolvimento de todos estes personagens – e de outros que vão aparecendo e dando uma profundidade maior à estória. Muitos pontos críticos – especialmente para quem é adolescente – são visitados e revisitados no decorrer dos capítulos, como a separação conjugal já dita, responsabilidades, amadurecimento, amizade... Personagens que parecem apenas ‘comuns’ vão ganhando traços fortes à medida em que se conhece mais de seus passados, e caminhos adjacentes vão se cruzando e se embatendo...

Para sorrir e chorar; para se reconhecer, para admirar-se com artes gráficas belíssimas, Ao Haru Ride é um título que se torna ponto fora da curva dos Shoujos atuais. Pela sua densidade de roteiro, beleza gráfica e personagens memoráveis, uma obra pra ser lembrada por muito tempo por quem a lê...

Ao Haru Ride possui também uma série animada que compreende o primeiro terço da estória do mangá, produzida pelo estúdio Production I.G. [mesmo de Shingeki no Kyojin e Psycho-Pass], sem uma confirmação de segunda temporada por enquanto; e para felicidade de muitos [eu incluso], a Panini já anunciou que o mangá chegará de forma oficial em terras tupiniquins, ainda sem data de lançamento definida.

Espero que os leitores desta obra possam entender a profundidade na leveza que ela mostra, que pensem, sofram junto com os conflitos dos personagens, e que possam sorrir sem perceberem-se sorrindo nos momentos mais intensos. E assim vamos nos perdendo e nos achando na roda funcional da vida e do tempo!

Grande abraço e até o próximo encontro!




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