sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015


E aí galera dO Trem! Depois de muito tempo, cá estamos proseando novamente! E com muita satisfação volto a embarcar neste meio de locomoção cultural, mental e social, ao lado destes excepcionais colunistas que têm muito a oferecer!

Na coluna desta vez vou deixar alguns álbuns de Rock flutuando, mais especialmente para quem não ouviu um álbum de uma banda de rock inteiro ainda. Sim, Rock. Por quê? Por que é o estilo que mais admiro. Porque possui uma variedade imensa de estilos dentro dele, que sinceramente não conheço em nenhum outro estilo musical [por favor, não desmerecendo estilo algum, apenas externando o que sinto]. E o mais importante: Quando falo de Rock para leigos, muitas vezes as pessoas me dizem que não gostam mas não sabem especificar exatamente o porquê: Alguns usam a velha falácia da “gritaria, pancada, falta de leveza”, outros dizem que “não gostam de guitarras, preferem pianos”, e outros até mesmo dizem que “a fase rebelde e infantil da vida já passou”.  Na verdade, há excelentes bandas de rock que fazem oposição a todas estas frases, e vou deixar aqui alguns álbuns para apreciação que falarão por si sobre isso.

Vou separar de forma empírica em álbuns ‘Easy’, ‘Medium,’ ‘Hard’ e ‘Extreme’, considerando que uma pessoa que não ouve rock está ouvindo este álbum pela primeira vez e fazendo a digestão dele; Portanto, de acordo com minha visão pessoal, o álbum nível ‘Easy’ poderá ter melhores frutos e, quem sabe depois dele caso você goste poderá passar ao ‘Medium’, e assim por diante. Falarei um pouco do álbum em si e o porquê da classificação. 

The Calling – Camino Palmero, 2001 [Easy]

O álbum de estreia dos americanos do The Calling é um exemplo de Rock do tipo ‘limpo’, sem gritaria, sem pancada. Ainda assim, um excelente álbum de Rock. Músicas como “Unstoppable” e “Things Don't Always Turn Out That Way”, mais densas e soturnas, contrastam com sons como “We’re Forgiven”, “Could It Be Any Harder” e o mega sucesso “Wherever You Will Go”. Uma grande mistura de profissionalismo e talento natural, este último demonstrado na potência e beleza da voz de Alex Band.



Foo Fighters – The Colour and The Shape, 1997 [Medium]

O Segundo álbum de estúdio dos americanos do Foo Fighters é agitado, intenso, emocional e agressivo. Tudo na medida certa. A que, na minha opinião é a melhor música deles, “Everlong”, encontra-se presente neste álbum, assim como a segunda melhor música deles pra mim, “Walking After You”. Os grandes sucessos “Monkey Wrench” e “My Hero” também são dele. Preciso falar mais alguma coisa? Dê uma chance!



Tesseract – Altered State, 2013 [Medium]

Os ingleses do Tesseract alistaram Ashe O’Hara para fazer as linhas de vocal de seu segundo álbum, “Altered State”. O resultado é um dos melhores álbuns que já ouvi na vida, e a crítica especializada em grande parte concorda com minha avaliação. O potencial lírico de Ashe mostrou que nem só de guturais vivem as bandas de metal progressivo. Não há um sequer em “Altered State”. Pelo contrário, há até linhas de saxofone! [Por sinal, muito bem executadas pelo músico convidado Chris Barretto, vocalista da banda britânica Monuments]. Carregado de sentimentos, lirismo altamente filosófico, extremamente bem feito. Vale muito a pena ser ouvido.



Oficina G3 – Histórias e Bicicletas [Reflexões, Encontros e Esperança], 2013 [Easy]

A banda cristã Oficina G3 foi até Londres para gravar este álbum, marcado pelo falecimento da esposa do vocalista da banda, Mauro Henrique. Mauro, aliás, é o principal culpado pela taxação de “Easy” que dei a este álbum. O talento do rapaz faz qualquer coisa que ele cante se tornar melhor para ser ouvida; soma-se a isso o talento de Juninho Afram, um dos melhores guitarristas do Brasil e do mundo, a firmeza de Duca Tambasco nas conduções de baixo, a desenvoltura de Jean Carlos nos arranjos e teclados e o poder de Alexandre Aposan na bateria e temos a melhor formação [na minha opinião] da banda e o seu melhor álbum, com melodias acertadas, letras filosóficas e tanto peso como calmaria na medida certa. Músicas como “Água Viva”, “Lágrimas” e “Descanso” são verdadeiras obras-primas. [Detalhe: Sou agnóstico, porém amo boa música].



Linkin Park – Meteora, 2003 [Hard]

Os americanos do Linkin Park estavam em seu auge quando lançaram seu segundo álbum de inéditas, “Meteora”. O álbum varreu tudo o que viu pela frente e até hoje é considerado por muitos o melhor álbum da banda. Na minha opinião, nele já se via a experimentação do grupo em sons como “Breaking The Habit” e “Nobody’s Listening”. O peso, bem representado em sons como “Hit The Floor” e “Figure.09”, contrasta perfeitamente com o experimental, bem como com as músicas mais carregadas de emoção, como o grande sucesso “Numb” e a simplesmente épica “Easier To Run”. Os guturais de Chester Bennington e as rimas de Mike Shinoda estão afiadíssimos.



Bring Me The Horizon – Sempiternal, 2013 [Hard]

Os britânicos liderados por Oliver Sykes alcançaram um nível de maturidade extremamente alto tanto quanto competente em “Sempiternal”. O álbum passeia bem entre diversos estilos do Rock mais pesado, misturando velocidade com cadência e utilizando elementos eletrônicos no meio de tudo isso. As letras são voltadas para mazelas que assolam a humanidade, como abuso de drogas, suicídio e violência. O vocal de Oli está muito técnico e conversa muito bem com todos os sons – a despeito de toda a crítica antes do lançamento do álbum, que desacreditava que ele conseguiria fazer um bom trabalho. Lirismo profundo, diversidade entre os sons, maturidade dos integrantes... Sempiternal deveria servir de aula para os Axels Roses da vida que protelam produções e desgastam fãs.



UnderOATH – Define The Great Line, 2006 [Extreme]

Os americanos da infelizmente terminada banda UnderOATH conseguiram, com seu quinto álbum de estúdio “Define The Great Line” sintetizar toda a atmosfera das letras [apesar de cristã, a banda tratava diversos temas nos sons] com o peso dos instrumentos e o vocal destruidor de Spencer Chamberlain. Viciante, pesado, completo, atmosférico. Um dos álbuns que mais ouvi na vida. Me passa diversas emoções, que vão desde mais violentas em sons como “You’re Ever So Inviting” ou “Returning Empty Handed” até as mais densas e reflexivas em sons como “Writing On The Walls” ou a maravilhosa “To Whon It May Concern”. Uma montanha russa musical, que cada vez que ouço me traz novas sensações.



Lamb Of God, Resolution, 2012 [Extreme]

“Resolution” é sem dúvida para mim o melhor álbum do Lamb Of God, nome muito conhecido no meio e respeitado. Além de possuir um dos melhores bateristas do mundo, Chris Adler, o Lamb Of God usa muitas metáforas em suas letras [o que garante diversas interpretações e faz de cada ouvinte um entendedor único]. Músicas como “Desolation”, “Ghost Walking” e “The Number Six” são extremamente técnicas, bem cantadas e imersivas. Se você chegou até aqui, ouvir este álbum vai fazê-lo certamente querer ouvir mais!



Bem galera, espero que alguém possa ter uma experiência de, senão de mudança, que pelo menos de abertura. E que a partir daqui possa ao menos ter uma opinião realmente válida ao explicar o porquê de não ouvir Rock. Reparem que todas as bandas que coloquei, mesmo as que se encontram no mesmo “nível de digestão”, são muito diferentes entre si. Assim é o Rock: diversificado. Tem para todos os gostos!

Grande abraço e até a próxima, meus companheiros de condução cultural!





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