segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Arte: Gilmar / Reprodução Facebook

25 de Janeiro, aniversário da cidade de São Paulo. Li com alguma curiosidade, - e talvez até certa perplexidade – uma publicação da Folha de São Paulo sobre o Movimento São Paulo Independente, que defende entre suas bandeiras (e como o nome já sugere) a autonomia de São Paulo do resto do Brasil em sentidos como legislação penal e política imigratória. Talvez a surpresa se deva apenas pela improbabilidade de imaginar a efetivação das reivindicações do movimento porque, em verdade, não é fato único a tentativa de um estado em desligar-se do resto da nação.

Basta uma pesquisa rápida e superficial para descobrir que historicamente e na contemporaneidade muitos movimentos separatistas existiram e persistem, passando pela colônia, império e república, aparentemente impulsionados em geral pelo descontentamento com a forma de governo dominante e seus impactos na vida econômica dos moradores da região. Evidentemente compreender os motivos de cada um dos movimentos se constitui tarefa árdua e delicada englobando diferentes áreas do conhecimento. Mas nos permitamos brincar com as reflexões e pensar: qual o sentido desses movimentos? E mais. Qual a causa desses movimentos?

Reprodução | Facebook
Faço a vista de um ponto. A modernidade trouxe consigo uma nova dimensão para a consciência de público e privado e das relações de dependência entre os homens. Dentro dessa dimensão surge o que se convencionou chamar de individualismo, que se coloca como o afrouxamento dos laços sociais e o crescimento de ideais como a meritocracia e o livre arbítrio. Sob essas concepções não é difícil imaginar um solo fértil para que surjam movimentos que apregoem a separação dos estados como forma de resolução dos problemas sociais.

Esses movimentos não devem ser calados, claro! São vozes conflitantes constitucionalmente protegidas e que assim deve se manter. Refletem, todavia, (nas minhas concepções) a pobreza de ideais na hora de encarar as dificuldades da convivência social, um elitismo desnecessário e uma profunda falta de solidariedade. Sua simpatia a figuras como o Coronel Telhada – como no caso citado - refletem a superficialidade de suas propostas e convicções em encarar situações historicamente construídas e ideologicamente mantidas como o problema da violência.

São Paulo é grande e estatisticamente talvez sequer possamos considerar o movimento relevante, mas é de se pensar. Diante disso acho que torço apenas por pessoas mais históricas, por propostas mais éticas, por convivências mais sinceras. Não quero fazer coro com o Criolo toda vida repetindo e repetindo o refrão.... 

“Não existe amor em SP.”

Arnaldo dos Anjos






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