"...se tanto foi gasto em prol de uma melhoria que ficaria para os cidadãos brasileiros, por que então foram exatamente elas que acabaram por prejudicar boa parte da população?"
| Manifestação contra a Copa e por transporte gratuito em São Paulo, ocorrida em junho de 2014 | Foto: Arnaldo dos Anjos |
Não é novidade alguma nos dias de hoje que, com a chegada da Copa do Mundo no país, muito do dinheiro de cidadãos trabalhadores acabou escorrendo para outros bolsos diante de inúmeras obras superfaturadas. Mesmo que de inicio a proposta apresentada ao povo fosse a de não usar um só centavo do dinheiro publico, como foi dito em 2007 pelo então ministro do esporte, Orlando Silva, dados de pesquisas comprovaram exatamente o contrário, mais de 83,6% do dinheiro usado nas obras voltadas para o evento saíram exatamente dos cofres públicos, a copa no Brasil não só deixou rastros por toda a economia como também levou consigo cerca de 25,6 bilhões de reais divididos entre transportes terrestres, aéreos, marítimos, comunicação, segurança publica e estádios.
Se buscarmos no passado, mais precisamente no ano de 2010 que, foi quando saiu as primeiras estimativas de gastos para com a Copa, feita pelo Ministério do Esporte, é possível enxergar a enorme lacuna existente entre o orçamento inicial do que seria gasto com os estádios (cerca de 5.912 bilhões), para com os reais gastos ao final destas construções que chegaram a ultrapassar o valor de 7,09 bilhões. A diferença do plano de custo inicial é tamanha que, por mais que todos os representantes do esporte tentem justificar com custos inseridos no decorrer da obra, como gastos não previstos, acidentes, entre outros, em nada se justifica a superfaturação destas.
Com tantas obras saindo do bolso publico, aqueles que mais deveriam ser beneficiados acabam por verem-se obrigados a abandonar suas vidas comuns para aderirem à lei do afastamento: Quanto maior e mais luxuosa uma obra for, mais longe desta o povo de origem ‘classe média baixa’ deve ficar. Pelo menos é isso que a senhora Maria Antonieta Soares, 57, ex-moradora do bairro Cidade A.E (Itaquera), conta “Não é possível mais sobreviver nas redondezas do estádio.” Hoje a catadora de lixo Maria encontra-se desempregada devido alguns problemas respiratórios causados pelo local de trabalho.
“Antigamente eu morava com os meus 3 filhos, minha irmã e o marido dela num quarto e cozinha próximo do estádio. Nos dias de hoje tudo que o pobre quer é estar o mais perto possível de uma estação não é mesmo? Estando próximo da estação Corinthians-Itaquera todos conseguíamos trabalhar, era pequeno mas era um lar. Mas agora é impossível algo assim, com o salario de babá da minha irmã, de pedreiro do marido dela e catadora de lixo como eu, nem mesmo mudando de bairro dá para sustentar, quem dirá agora que eu não ‘tô nem recebendo os meus trocadinhos que mesmo sendo poucos me fazem tanta falta.”
O povo que o governo tanto diz ajudar com as obras são os mesmos que devido a elas se veem obrigados a sair até mesmo de suas moradias. Em época de Copa nem mesmo usar os transportes públicos a população estava conseguindo, quem pretendia usar a linha vermelha do metro na estação Corinthians-Itaquera, por exemplo, era obrigado a andar a pé até uma outra estação próxima caso não tivesse um ingresso para assistir os jogos da copa, tudo por conta do cerco policial que existia no local.
Em outras palavras, se tanto foi gasto em prol de uma melhoria que ficaria para os cidadãos brasileiros, por que então foram exatamente elas que acabaram por prejudicar boa parte da população?
São inúmeros os possíveis escândalos envolvendo a FIFA e toda a sua organização em torno da Copa do Mundo de 2014 sediada no Brasil, nunca antes nas historias do mundial se foi gasto tanto quanto no país do samba, pesquisas mostram que se somarmos a quantia gasta nas ultimas 3 edições do evento (Japão&Coréia, África do Sul e Alemanha ) chega-se ao valor aproximado do que foi gasto em uma única Copa, mais uma vez o Brasil se torna titular de algo completamente negativo para o país, com tanto desvio de dinheiro e formação de cartel o titulo de “A copa mais cara de todos os tempos” acaba ficando como um dos legados.
Lilliam Strafacce
"O mundial acabou, mas deixou muitos detalhes inacabados e um deles é, com certeza, a construção dos estádios que, querendo ou não, é discutido por muitos, sejam eles especialistas no assunto ou não."
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| Manifestação contra a Copa e por transporte gratuito em São Paulo, ocorrida em junho de 2014 | Foto: Arnaldo dos Anjos |
Manifestações contra a copa do mundo, previsões precipitadas de como seria o mega evento no Brasil, estrangeiros indo e vindo perdidos pelas ruas da capital, os sotaques interessantes e curiosos, quanto às mímicas desajeitadas, a voz robótica do metrô (tentando) falar inglês, o conforto de chegar mais cedo em casa para assistir (ou não) o jogo com seus amigos acompanhado de pipoca e churrasco, a alegria de cada jogo vencido e a vergonha da eliminação (7x1 para Alemanha). Sim, parece que tudo isso foi ontem e sobra uma sensação de que sobrevivemos a copa do mundo.
Pois é. Agora a copa se foi, os estrangeiros bonitos e as farras nos bares da vila madalena também e voltamos a nossa velha rotina de cidadãos brasileiros, dias comuns novamente. Uma pena.
Para muitos, o assunto já está morto, aqueles protestos lá atrás foram apenas para expressar uma juventude revoltada, mas sem nenhum ideal de verdade. Mas para outros, o assunto continua vivo e sendo alvo de estudos. Como tudo na vida, quando algo termina ainda sobram os fragmentos. Ah os fragmentos! Eles são o que realmente importam.
O mundial acabou, mas deixou muitos detalhes inacabados e um deles é, com certeza, a construção dos estádios que, querendo ou não, é discutido por muitos, sejam eles especialistas no assunto ou não. Durante a copa, este foi um dos assuntos que nunca passava despercebido pela imprensa, milhares de publicações, grandes ou pequenos veículos, comentários e criticas e todos os meio possíveis para falar mal de tal assunto. Segundo Mônica Pereira, contabilista e especialista em economia, o grande gasto da copa veio, realmente, do dinheiro publico. O BNDES também, teve uma grande participação, emprestando uma grande quantia de dinheiro aos responsáveis pelas obras. Mônica também afirma que, os gastos que teve no Estádio do Itaquera ( um dos estádios com maiores investimentos) poderiam ser evitados, pois quando se planeja um orçamento, deve-se incluir os imprevistos possíveis e, isso não foi exatamente o que ocorreu.
Abaixo alguns detalhes, gastos e histórias dos estádios que sediaram a copa do mundo:
BEIRA -RIO – ESTÁDIO DE PORTO ALEGRE
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| Foto: EBC |
Localizado na região sul do país, também conhecido como Estádio José Pinheiro Borda, que pertence ao clube Internacional, inaugurado em 1969 e palco de grandes decisões da Copa Libertadores da América, tinha como plano ser entregue em dezembro de 2012, mas isso não foi possível e a entrega oficial foi em abril deste ano, faltando apenas dois meses para o mundial. Foram , R$ 330 milhões de reais investidos para a reforma, apesar do alto valor, foi o que teve o menor custo, diante dos que veremos mais a frente.
ARENA DA BAIXADA – CURITIBA
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| Foto: EBC |
Arena da baixada foi um caso rebelde, deu muita dor de cabeça e correu o risco de não participar da copa. Foi entregue sem uma boa parte dos assentos e com salas para a imprensa incompletas e a instalação das estruturas temporárias sofrerão muitos atrasos. Resumo: , R$ 330 milhões investidos para a reforma.
ARENA DAS DUNAS – NATAL
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| Foto: EBC |
Foi construído, primeiramente, em 1972. Mas, como os demais estádios, precisava de uma reforma. O resultado foi de um estádio muito bonito, com coberturas feitas de pétalas em treliças de estrutura metálica de aço, capacidade para 42 mil lugares, clarabóias entre as pétalas dando um efeito de luz natural dentro do estádio. Muito lindo. Mas bonito mesmo foi o valor que tudo isso deu: aproximadamente , R$ 423 milhões, sendo uma boa parte financiada pelo BNDES e a partir de parceria publico-privada, administrada por um consórcio.
CASTELÃO – FORTALEZA
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| Foto: EBC |
Estádio Governador Plácido Castelo, construído em 1973, popularmente conhecido como Castelão e reformado inteiramente para receber os belíssimos estrangeiros, ganhou estacionamento, área VIP, setor para a imprensa, vestiários e assentos protegidos por cobertura. Foi o mais maduro de todas as construções/reformas, pois as obras iniciaram em abril de 2011 e foi entregue sem atrasos, sem dramas, sem dor, sem ressentimentos em dezembro de 2012. Custou, R$ 519 milhões, um pouco mais do que o esperado.
ARENA PERNAMBUCO – RECIFE
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| Foto: EBC |
Palco da partida entre Chile x EUA na copa de 1950, o estádio localizado em São Lourenço da Mata, construída com parceria Público-Privada e, segundo muitos especialistas, o acesso é um dos maiores problemas para chegar ao estádio, embora a prefeitura tenha prometido melhorar a situação. Tem a capacidade para 46,100 torcedores em 24 metros quadrados. Fora gastos, aproximadamente, 532 milhões para a reforma.
ARENA PANTANAL – CUIABÁ
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| Foto: EBC |
Foi um problema. A possibilidade de se tornar elefante branco é máxima, entregue muito tarde, o governo do Mato Grosso gastou R$ 525 milhões e mesmo assim não conseguiu repassar a arena para iniciativa privada. Tem a capacidade para 42.968 assentos, estruturas sustentáveis e ganhou arquibancadas, que não contém barreiras separando as torcidas.
ARENA AMAZÔNIA – MANAUS
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| Foto: EBC |
Como todos sabemos, se tem um estado que não dá a mínima para o futebol, esse estado é a Amazônia.A arena, antigo demolido Estádio Vivaldão, demolido com certeza se tornará um elefante branco. O processo de construção foi seguido pelas normas de sustentabilidade, para preservar o ambiente natural que lá apresenta, tem capacidade para receber 44,5 torcedores, um gramado que conta com 35 pontos de irrigação e tudo o mais. Muito emocionante. Ah, desculpem, a fatura? Foram R$ 669 milhões.
FONTE NOVA – SALVADOR
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| Foto: EBC |
O estádio original foi construído em janeiro de 1951, mas como uma boa parte, teve que ser demolido em 2007, após um acidente que ocorreu em uma das arquibancadas, matando sete torcedores. O atual, no entanto, foi reformado juntamente com parceria publico privada, também conhecido como PPP, entregue com atrasos em dezembro de 2012. Como teve que ser praticamente construído novamente, a despesa foi grande:R$ 689,4 milhões. Exatamente. , R$ 689,4 MILHÕES.
MINEIRÃO – BELO HORIZONTE
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| Foto: EBC |
Sempre no meio de muita rebeldia, há o correto, que faz tudo, chega e faz tudo na hora certa. Este foi o caso do Mineirão, entregue no prazo (dezembro de 2012). O problema foi depois da entrega, ultrapassou o orçamento proposto, que era de R$ 426 milhões, o total foi de R$ 695,00 milhões) e as obras foram PPP ( Publico-Privada).
ITAQUERÃO - SÃO PAULO
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| Foto: EBC |
Um dos estádios mais polêmicos da copa do mundo e, sonho de muito tempo da popular torcida chamada carinhosamente de Gaviões da fiel, ou apenas Corinthians. Foram gastos aproximadamente , R$ 1 bilhão para a construção do estádio, localizada em um dos locais mais decadentes da capital. Durante sua construção tiveram três trabalhadores mortos, atrasos para a entrega para a FIFA e muita, mas muita dificuldade no financiamento e na infraestrutura. Ao total, tem 48 mil assentos, 17 mil provisórios e 225 camarotes e está faltando uma parte, o que não ficou muito bonito.
MARACANÃ – RIO DE JANEIRO
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| Foto: EBC |
Se surgiu até o Itaquerão nesta história, por que o Maracanã ficaria de fora do mundial?
Maraca. Estádio localizado no Rio de Janeiro, conhecido especialmente por ter sido palco da final entre Brasil e Uruguai na copa de 1950, também conhecido como o tempo em que o Brasil jogava, embora tenha perdido. No entanto, neste ano, 2014, foi palco para a vitória da Alemanha.
Embora estivesse pronto, também teve um gasto assustador, segundo pesquisas. Aproximadamente, R$ 1,2 BILHÃO, foram gastos para renovar o estádio. Apresenta 78.639 lugares, considerado um recorde de publico na história do futebol, além da construção de novas rampas e duas torres (um conjunto de elevadores e escadas rolantes).
ESTÁDIO NACIONAL (MANÉ GARRINCHA) – BRASÍLIA
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| Foto: EBC |
É o segundo maior estádio do Brasil, que substituiu o antigo estádio Mané Garrincha que foi demolido e também, claro, o mais caro da copa. Foram usados cerca de , R$ 1,6 bilhão de reais. Exatamente, R$ 1,6 BILHÃO DE REAIS. O estádio que tem 70.824 lugares para os torcedores e contém uma construção ecologicamente correta, apresentando uma cobertura com pontos de captação de energia solar e de água.
Sheila Leite













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