É incrível a capacidade das redes sociais de propagar a burrice de forma virulenta. A brincadeira do balde de gelo (Ice Bucket Challenge) é a mais nova manifestação desse quadro em que uma falsa ideia de filantropia é utilizada para estimular nossa falta afinidade com os neurônios. Sim, guardiões do politicamente correto, eu sei que o desafio já arrecadou milhões para o desenvolvimento de pesquisas e tratamentos para o ELA. Porém, em um mundo que enfrenta graves crises humanitárias e de abastecimento (inclusive da água de nosso amado desafio), em um mesmo mundo em que o ebola mata milhares na África e vira uma ameaça global, elegemos uma doença que tem uma incidência de três casos a cada 100 mil habitantes para nossa mobilização filantrópica do momento.
Com todo respeito aos portadores da Esclerose Lateral Amiotrófica e aos seus familiares, que é uma doença grave e debilitante, mas o desafio do balde de gelo é muito mais sintomático da nossa alienação do que de nosso espírito elevado. Quando se assiste aos vídeos das “celebridades” e sua recente adesão em território tupiniquim, vemos que até a causa inicial foi esquecida em detrimento do nosso gosto pelo entretenimento barato e de fácil assimilação.
Vivemos na era do déficit de atenção, da falta de paciência para tudo aquilo que possui conteúdo, dos modismos descartáveis e transitórios, da falsa interatividade. Sem dúvida, um balde de água fria naqueles que ainda nutriam alguma esperança pela sobrevivência da inteligência humana.


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