quinta-feira, 8 de maio de 2014

"Assim começa a história de Roland de Gilead, o último pistoleiro, condenado a vagar por um mundo pós-apocalíptico em busca da lendária Torre Negra, lugar mítico que controla todo o tempo e todo o espaço. Roland é o protagonista deste primeiro dos sete volumes de A Torre Negra, obra mais ambiciosa do cultuado escritor norte-americano Stephen King. Inédita no Brasil, a série foi descrita por seu autor como “o mais longo romance popular de todos os tempos”. O Pistoleiro acompanha Roland em sua incansável perseguição ao enigmático homem de preto na paisagem desértica, quase atemporal, de um mundo arruinado. Alcançar sua misteriosa nêmesis é apenas o primeiro passo em sua jornada rumo à Torre Negra, onde Roland espera que a rápida destruição de seu mundo possa ser interrompida, ou até mesmo revertida. Enquanto o pistoleiro vai aos poucos descobrindo o que lhe reserva seu ka — seu destino —, o leitor é arrebatado por este romance ao mesmo tempo realista e visionário, porta de entrada para um universo fantástico que cultiva uma legião de fãs ao redor do mundo. Inspirada no universo imaginário de J.R.R. Tolkien, no poema épico do século XIX “Childe Roland à Torre Negra Chegou”, e repleta de referências à cultura pop, às lendas arturianas e ao faroeste, A Torre Negra mistura ficção científica, fantasia e terror numa narrativa que forma um verdadeiro mosaico da cultura popular contemporânea."


O trecho acima é a sinopse oficial do primeiro livro da saga, O pistoleiro, publicado pela editora Objetiva. Torre Negra é uma série composta de 8 volumes e escrita por Stephen King, autor de outros sucessos como 'O Iluminado' e 'A Coisa'. Entre intervalos, correções, novas edições, a coleção começou a ser escrita em 1970 e teve o último livro escrito em 2012, com a tradução para português lançada em 2013.

O começo do processo criativo teve duas fortes influências: O Senhor dos Anéis e um poema de Robert Browning. O primeiro estimulou fortemente o autor com seu reino de fantasia e magia e, o mais importante, sua estrutura. A trilogia do anel fora escrita nos moldes da 'jornada do herói' - uma estrutura bastante estudada pelo próprio Tolkien e por pessoas como Joseph Campbell - e King gostaria de escrever um livro que se enquadrasse nas mesmas coordenadas. Já o poema de Browning, "Childe Roland à Torre Negra chegou", auxiliou Stephen na criação da trama e nos primeiros sinais de vida de dois personagens icônicos do romance: O homem de preto e o pistoleiro.

Como grande escritor de best-sellers, King atingiu marcas surpreendentes com as vendas de Torre Negra e alguns projetos paralelos chegaram a ser cogitados e quase saíram do papel, como séries de TV e filmes. Um dos planos, porém, deu certo. A Marvel Comics começou a lançar em 2007 duas séries de quadrinhos que, juntas, possuem cerca de 65 volumes. Elas enfocam momentos que ficam em suspense nos livros, como "A Batalha em Jericho Hill" e chegam a se aprofundar em outros momentos abordados no livro. As duas séries foram escritas com a participação de King e acabaram em Setembro de 2013. No Brasil, a Marvel terminou de lançar o último capítulo da primeira série. No fim de cada um dos capítulos são produzidos exemplares especiais em capa dura.

No lançamento do oitavo e último livro, Stephen King se surpreende ao descobrir que seus personagens possuíam mais para dizer do que ele imaginou que tinham. "O vento pela fechadura" acontece entre o quarto e o quinto livro e pode ser lido fora da coleção principal.

"Vá, então. Existem outros mundos além deste.” 

Durante a leitura de toda a saga não há nenhum ponto que prove que a história da Torre Negra não ocorreu ou que não pode estar ocorrendo em algum lugar paralelo ao nosso. O conceito de espaço e tempo criado por Stephen King se mostra muito verossímil e flexível enquanto a cultura de Gilead e de seu mundo revela-se bastante sensível aos que lerem de coração aberto.

Em várias partes do livro ele trabalha com a ideia do que, na Língua Superior, é conhecido como ‘ka’ (para nós, na Língua Inferior, o significado pode variar entre consciência, dever e destino). O pistoleiro enfrenta conflitos frequentes entre continuar sua busca pela Torre Negra ou deixá-la para trás por aqueles que ama, seu ka-tet – companheiros do ka.

A busca pela torre pode ser interpretada de várias formas e é o que guia a trama enquanto os conflitos enfrentados por Roland e seus companheiros emociona e dá profundidade ao que é considerado a ‘magnum opus’ de Stephen King. 

Pouco pode ser dito sem que o ineditismo da trama seja comprometido e como espero que grande parte dos que leram meu singelo texto leiam aos livros, detenho minhas revelações. Aos que se descobriram interessados confira abaixo os primeiros quatro versos do Poema de Robert Browning que acendeu uma das milhares fagulhas criativas na mente de Stephen King.

O poema completo pode ser encontrado em um dos fã-sites criados sobre a trama, aqui.

Longos dias e belas noites, sai.

CHILDE ROLAND À TORRE NEGRA CHEGOU

Robert Browning (1812-1889)

“Primeiro pensei: ele mentiu a cada sentença
O coxo encanecido, com olhos cheios de malícia
Ávidos por ver nos meus de sua mentira a perícia
E com a boca sem conter a alegria intensa
Que repuxava seus cantos na crença
De que o predador outra vez se sacia.

Qual outro seria o intuito, com seu cajado?
Qual senão emboscar e laçar os andarilhos
Que porventura o encontram pelos trilhos
E vêm pedir direção? Que risada má eu teria escutado,
quem deixaria meu epitáfio marcado
por diversão nos terrosos caminhos,

Se ao seu conselho eu devesse me desviar
Para aquele curso sinistro que, é sabido,
Esconde a Torre Negra? Porém eu, de boa-fé imbuído,
Tomei o indicado caminho, sem orgulho demonstrar
Nem esperança rediviva ao ver o fim se aproximar,
Mas sim gratidão pela idéia de algum fim existir.

Pois, se depois de o mundo todo vagar
Se na minha busca ano a ano estendida
Minha esperança tornou-se uma sombra encardida
E incapaz de com o gozo ruidoso da vitória lidar,
A festa no meu coração eu mal pude refrear
Quando este entreviu a batalha perdida."


Arthur Marchetto

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