Tinha em mente tudo o que aprendi no colégio sobre a naturalidade das coisas e a perplexidade de um cidadão de bem, porém o sonho concreto era sólido demais para o besteirol o qual girava minha própria vida. Os ônibus não passavam pelos pontos comuns, o futebol estava de folga, as lojas estavam todas fechadas e até a sorveteria tão convidativa para aquele calor não abriu neste domingo luxuoso para o futuro do concreto.
Tudo acontece neste domingo, pois a eleição do concreto é algo surreal demais para os que vivem tropeçando em buracos da própria imaginação, o ferro fundido é latente demais para um degustador de sorvetes de morango, com cobertura de pó de café e inerte demais para um atualizador de status compulsivo de seus perfis tão pouco visitados. O domingo se foi em mil longas horas até que fosse divulgado o resultado da grande boca de urna faminta por votos que tão pouco trouxe para o concreto interior ou tão muito tapou o buraco da minha desesperança, aquelas haviam feito somente com que o entretenimento ganhasse mil tantas horas de vaidade e outrora uma aurora enraivecida de cimento sob nossos cansados pés.
A noite dominical dava o ar da graça, não sem antes contemplar a magnitude do crepúsculo de baboseiras escancaradas e biquínis cavadões. Sócrates, Alexandras, Leopoldos, Camélias, Lordes e Condessas se embrearam neste período secular, atrás de obras inacabadas para seus dias e foram tapeados por novidades desta polis inundada de hipocrisia e nítida pelo lustra moveis de seus museus particulares de artigos de tão estimados em valor. O domingo se foi e sua grandeza também e tudo o que me sobrou deste concreto foi sonhar com o que o concreto sempre me disse, “sonhe em meu frio, acorde em meu calor, aprecie o meu sabor e digira todo o dissabor”.
- Senhor, o exame foi concluído, aguarde no corredor que o doutor X irá chama-lo pelo nome para entregar a radiografia do seu crânio.
Era segunda-feira...
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