E aí, meus queridos dO Trem! Vamos a mais uma aleatoriedade semanal! E esta me fez derrubar alguns preconceitos e me entregar de vez à adoração da animação japonesa... Somente lá teríamos uma obra tão surpreendente!
Falo de Mahou Shoujo Madoka Magica!
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| [As cinco principais. Diferentes entre si, mas igualmente marcantes] |
Madoka Kaname é uma garota alegre e esforçada de 12 anos. Com suas amigas Sayaka Miki e Hitomi Shizuki, leva uma vida de estudante com suas agitações comuns. Madoka não sente que possui alguma habilidade de que possa se orgulhar, admirando a força de espírito e energia de Sayaka e a beleza e calmaria de Hitomi. Certo dia, porém, a vida de Madoka começa a mudar quando ela sonha com uma bela garota lutando contra um monstro muito maior do que ela, em um cenário de absoluta destruição. Para sua surpresa, a garota de seu sonho lhe é apresentada como sua nova colega de classe, e se chama Homura Akemi. Madoka sente que Homura sente certa antipatia por ela de início, o que a deixa incomodada.
Neste mesmo dia, Madoka ouve um chamado de socorro que parece ecoar de sua cabeça. Ao checar pelo chamado, ela se depara com Homura, que tenta matar um pequeno ser, ser este que é o que provoca o chamado de socorro na cabeça de Madoka. Sayaka também aparece e ambas evitam que Homura matem o pequeno ser. Este ser lhes conta que é conhecido por Kyubey, e que recruta garotas para serem ‘garotas mágicas’, guerreiras que lutam contra bruxas, seres que se alimentam de humanos e/ou de sua energia para sobreviver. Em meio a tudo isso, as garotas e Kyubey se veem presos a uma espécie de dimensão alternativa, com seres estranhos as rodeando de maneira ameaçadora. Neste momento de perigo, uma garota mágica aparece e salva as garotas, explicando que aquela dimensão se tratava de um ‘território de bruxa’. Seu nome é Mami Tomoe.
Kyubey então explica que ele é quem dá o poder de ser garota mágica para as garotas, e que o poder lhes é dado em troca de um desejo: Kyubey realiza um desejo, qualquer desejo, e em troca as garotas ganham uma ‘joia da alma’, joia que brilha intensamente e é a marca de ser uma garota mágica, e assim as garotas ganham a responsabilidade de ter de lutar contra as bruxas em seu território.
Com esta premissa somos apresentados ao mundo de Mahou Shoujo Madoka Magica. Agora, permitam-me explicar o motivo da minha introdução, aonde falo de preconceitos...
O gênero ‘Mahou Shoujo’ [Garotas Mágicas] é extremamente difundido no Japão. Um dos seus principais representantes é Sailor Moon, que foi exibido por aqui pela extinta TV Manchete. É um gênero de animação voltado ao público infanto-juvenil feminino, aonde as protagonistas geralmente agem em equipes balanceadas e vencem seus adversários sem muitos sustos. As relações entre as personagens e sentimentos como amor são explorados, porém de maneira leve. O drama é pouco recorrente – para não dizer nulo.
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| [Madoka Magica te faz pensar... Pensar nas responsabilidades de um desejo simples, na responsabilidade de estar vivo] |
Quando eu observei a enxurrada de críticas das mais diversas sobre Madoka Magica, percebi que todas, positivas ou não, tinham um ponto em comum: exaltavam a originalidade e a ‘coragem’ dos envolvidos na obra. Ao pesquisar mais a fundo, descobri que o roteirista de Madoka Magica é Gen Urobuchi, que também é roteirista de Psycho-Pass [anime do qual já falei por aqui]. Urobuchi é conhecido por seus roteiros fortes, beirando o gore em alguns momentos – como no jogo Saya no Uta. Resolvi então dar uma chance à animação.
Os dois primeiros capítulos foram sofríveis para mim – em muito pelo meu preconceito. O character design era ‘fofo’, as personagens pareceram típicas de um Mahou Shoujo comum. Os territórios das bruxas, psicodélicos e cheios de detalhes, ajudaram a manter minha atenção. E aí veio o capítulo três. E nele eu sofri o primeiro baque da série.
Optarei por não dizer o que ocorre neste episódio, porém posso dizer que todas as críticas agora faziam sentido. Madoka Magica era, incontestavelmente, uma obra singular. E a situação só foi ficando cada vez mais profunda nos episódios seguintes, a ponto de ao final da série eu estar me pegando com o rosto molhado em lágrimas – que já vinham desde episódios anteriores. Jamais na minha vida imaginei que ficaria assim com um anime do gênero Mahou Shoujo... Mas Gen Urobuchi conseguiu essa façanha.
Todas as personagens surpreendem [Kyubey principalmente], a densidade da estória cresce e espalha-se, e logo você está sentindo de forma intensa com as garotas ‘fofas’ de outrora. Madoka Magica te faz pensar... Pensar nas responsabilidades de um desejo simples, na responsabilidade de estar vivo, de ter amigos, de ter família. Te faz pensar nas mecânicas do universo, no valor de cada gesto, de cada foco de energia que dispersamos. Madoka Magica tem o poder de quebrar sua alma no meio.
A série original possui onze capítulos, sendo complementada por três títulos de mangá [um que conta a estória do anime dois spin-offs] mais três filmes [sendo que dois recontam a estória do anime e o último é um complemento altamente recomendável deste, de qualidade de animação ímpar].
Para quem se interessar, dispam-se de qualquer primeira impressão negativa e sigam no mundo de Madoka. Sintam o coração dela, da Kyoko, da Sayaka, da Homura e da Mami. Tentem entender Kyubey. E que guardem um lugar em seu coração para todas estas personagens... E que saibam que sempre, em algum lugar, alguém estará lutando por você. Enquanto você se lembrar deste alguém, você nunca estará sozinho...
Deixo-vos com o encerramento da série, ‘Magia’, das incríveis garotas do Kalafina.
Abraços e até a próxima!



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