Nos últimos dias, temos visto nos noticiários e nas redes sociais uma enxurrada de declarações e manifestações a respeito de um episódio ocorrido na Espanha com o jogador brasileiro de futebol Daniel Alves. Enquanto se preparava para cobrar um escanteio na lateral do gramado Daniel tornou se alvo de um torcedor munido de uma banana e sem hesitar comeu a fruta atirada em seu local de trabalho em forma de protesto pessoal.
Daí pra frente o que se viu na imprensa e no espaço ciber foi um turbilhão de hashtags com selfies de personalidades e pessoas comuns descascando a banana contra o racismo. A onda viral se espalhou rapidamente por todos os cantos da web e por alguns momentos tornamos real com o #somostodosmacacos a obra La planète des singes de Pierre Boulle, adaptado ao cinema como Planeta dos Macacos.
Começava ali uma grande discussão de um assunto que deveria por princípios básicos de igualdade entre povos ter sido extinto ou até mesmo nunca ter existido. Debates e opiniões confrontavam o contexto da situação em patamares extremamente exibicionistas e gananciosamente como parte da personalidade de muitos foi usado em campanhas publicitárias imediatamente após o caso. Teríamos vendido então um protesto a preço de banana?
Quem esperou um pouco mais para se manifestar pode evitar que o macaco que há dentro de si se transformasse em um mico travesso. O próprio jogador Daniel Alves em entrevista deu a seguinte declaração “Eu não gosto muito do #somostodosmacacos, porque acho que a gente é a evolução disso. Somos humanos e todos iguais. Acho que é isso que devemos defender”. Um duro golpe aos apressadinhos de jogo da velha nas mãos e aos oportunistas ambiciosos que visam o lucro sobre as mazelas sociais.
A revolução da banana não durou muito tempo ou nunca aconteceu por não sabermos ao certo sobre o que realmente protestar. Existem atitudes estúpidas o tempo todo contra alguém que é a sua imagem e semelhança, e isso não pode ser trocado por frutas, por jogos da velha, por camisetas, por chaveiros ou adesivos.
Talvez tenhamos comido muitas pencas e em consequência disto escorregamos nas cascas de banana da nossa própria ignorância, quebrando nossa cara de pau no chão desta selva de pedra. O que nos sobrou é fazer uma bela vitamina não só com as bananas, mas com as maçãs e com as peras que também são alimentos do macaco, enquanto refletimos sobre um passado que manchamos com nossa burra paleta de cores.
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