"Somos todos personagens de um teatro, usando máscaras que nos escondem a essência...Todo espírito profundo necessita de uma máscara" - Nietzsche
O que podemos pensar sobre as Máscaras? De que elas são feitas, sempre acabo pensando nisto, no meu palácio de memorias, existe uma sala, e nesta sala existe muitas mascaras, mascaras que usei, que ainda utilizo e sobre tudo mascaras que me fazem pensar, então vamos aqui explorar algumas questões sobre o por quê, o que, e as varias visões sociais e filosóficas sobre as mascaras. Claro, não conseguirei nem tenho conhecimento para explicar isso, mas vamos juntos desbravar com provocações intelectuais e pensamentos de nossos amigos pensadores, quem sabe mesmo que por um instante todos de cara limpa compartilhando e somando...Usamos máscaras o tempo inteiro? Então o que seriamos sem elas? Ou não seriamos?
No mais simples pensar as máscaras que usamos são as maneiras como a nossa personalidade se apresenta na sociedade.
A pessoa altruísta, a pessoa carinhosa, a desconfiada, a egoísta, a briguenta, a honesta, a parasita, a que se faz pai ou mãe de todos, a mentirosa, a otimista ou pessimista, a religiosa, a sofredora, a solitária, são alguns exemplos de máscaras que usamos. Não se trata, portanto, de negativo ou positivo, de bom ou mau. São maneiras de ser que compõem a personalidade de alguém, o que devemos nos auto avaliar é quando elas são utilizadas, se são acionadas pelo intimo, pelo coração/alma/consciência dando a nós uma direção natural ou se colocamos a mascara por um impulso que vêm de fora para dentro, para manipular, para ser oportunista, para fingir, a ainda aqueles que usam para se esconder ou quem sabe no mundo da imaginação para proteger.
Afinal de contas, somos obrigados a usar máscaras ou devemos tirá-las?
"O amor arranca as máscaras sem as quais temíamos não poder viver e atrás das quais sabemos que somos incapazes de o fazer."-James Baldwin
“Nós não estamos nos escondendo atrás dessas máscaras, estamos realmente revelando mais para você do que você imagina. A máscara que eu uso traz todos os sh*t dentro de mim que eu odeio. O nosso lema sempre foi, ‘Music First “. Mesmo se as máscaras e os macacões não estivessem lá, a música ainda seria boa. ” - Corey Taylor
As máscaras que usamos são intermediárias entre a nossa essência(Anima)e a nossa exterioridade (Persona), pela qual nos apresentamos, mas não podemos tratar delas como peças de roupas que tiramos/trocamos quando não vamos mais usar, acontece que precisamos das máscaras todos os dias, só assim garantimos o desempenho dos vários papéis nas nossas vidas/relacionarmos. São atitudes adequadas para as várias circunstâncias que se apresentam. O que importa é a consciência de que elas representam faces da personalidade como partes do todo que somos. Devemos aprender a conviver com elas, até que um dia não tenhamos mais necessidade disso. Dessa convivência, decorrem o nosso desenvolvimento intelectual, psíquico-emocional, moral e espiritual traduzindo a nossa atuação de ser-no-mundo, o que nos dá uma identidade. Este “caminhar mascarado” nos conduzem na trajetória rumo à nosso plenitude.
Mas, não somos as nossas próprias máscaras? Não acredito que assim seja, como eu disse antes, estamos falando de uma forma simples, e não simplificada, digo muito isso, por que simplificado seria assumir aquilo que ouvimos muito, que se estamos de mascara estamos sendo falsos, mas não é bem assim, afinal ela fazem parte daquilo que nos compõe como ser humano, porem devemos utilizá-las ao mesmo tempo que de forma pura, mas também com sabedoria, se não, realmente caímos no comum, que é ser quem não somos. Se não houver nada além da máscara, seremos parciais, incompletos, pedaços de Espírito e não um Espírito uno, assim desenvolvemo-nos como um todo. O problema não é de crescimento físico, mas sim de ampliação da consciência, e consciência não ocupa um espaço geograficamente delimitado. Quando alguém identifica-se ou deixa-se absorver pela persona, isto é, pela máscara, passando a conviver com os outros assim, estará fugindo ou afastando-se da própria essência. Isto significa, em termos práticos, que está esquecendo de si mesmo, perdendo o foco da busca pessoal, desvia-se dos seus projetos futuros. Neste caso, a pessoa ficará sujeita ou escravizada às opiniões alheias. Torna-se mais preocupada com o que os outros esperam ou pensam dela. Torna-se alguém que parece não ter vontade própria e passa a depender das opiniões e aprovações de amigos, parentes, pais e demais pessoas da sua convivência.
Infelizmente, ao não se aprofundar nisto que temos, as ditas máscaras, quase sempre ela fica pesada, de tando por uma sobre a outra, se perdendo, o preço deste ato ignorante é a perda de conversa inteligente. Eu não falo de ignorância em termos de conhecimentos acerca de outros, mas de uma ignorância do que se passa dentro de nós, da verdadeira motivação por detrás das varias faces que nós mostramos em batalha. Às vezes sentimos tanta necessidade de criar estas mascaras, de assumir títulos e defender honras, que perdemos a capacidade de percepção da doença que todos carregamos e que está à vista de todos, nós perdemos a capacidade de perceber a razão principal da formação da máscara, que foi formada para que nós saibamos do que mais precisamos de melhorar. Mascaras essas que não escondem, elas revelam-nos muito mais. Elas são prismas que iluminam as nossas almas para que possamos andar com o nosso coração à nossa vista, devemos ser capazes de olhar para as máscaras à nossa volta e assim descobrir a beleza dentro dos olhos e na substância das máscaras que todos usamos. É uma pena que quando acontece ao contrario, quando sobre a máscara também temos viseiras, esta ignorância, nos leva a associar a máscara como a única verdade, a que tem de existir, o objetivo, o amor ou o medo de algo, começamos a ver a nossa máscara nos outros e tentamos adorar qualquer ação ou inação, tentamos convencer os outros da nossa visão e fazemos com que a nossa doença seja o deus público, e o outro que não o é, o mau, o preconceituoso, o que nos desaponta.A nossa capacidade de conversar, de inter-relacionar, é prejudicada e formamos o nosso próprio mundo tentado esconder a nossa desilusão, o que nos leva abaixo o caminho de dissolução, de separação dos mundos de onde ganhamos a substância de que vivemos. E ficamos ocos e vazios.
São tantas as mascaras, visões da mesma, poética, filosófica, física... Ficamos assim por hora, com estas mascaras, acredito que estamos aqui, eu e você caro leitor caminhando e já somos sim capazes de ver estas mascaras e compreender, não na totalidade, mas não somos ludibriados, ficamos em alerta, ou apreciando, quem sabe apenas observando, vivemos através delas e as deixamos de lado quando acabamos. Nós não somos as máscaras. Elas exprimem-nos no momento em que precisamos de nos perceber, quando desatentos pensam que estamos á desaparecer.
IMAGINAÇÃO
Certo ou Errado?
Meticulando o Medo


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