sexta-feira, 18 de abril de 2014

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Fala galera dO Trem! Desculpem pelo tempo fora, problemas internos me afastaram! Mas estamos de volta! E nesta semana, com uma resenha um pouco mais pessoal!

Quem me conhece pessoalmente sabe que tenho um gosto musical beirando o eclético, porém com uma predileção para música pesada, alternativa, soturna. Nestes tempos tive o prazer imenso de poder apreciar uma grande obra de uma banda brazuca que me surpreendeu muito positivamente. O primeiro trampo dos caras não me agradou tanto, muito embora esteja longe de ser ruim; Porém, o novo trabalho deles merece e muito ser reconhecido não só no cenário da música pesada nacional, mas por tudo o que ele discorre, pela sociedade inteira... Em tempos em que se debate quem pode ser considerado ‘pensador contemporâneo’ ou não, o Project46, banda paulistana que começou como cover da mundialmente reconhecida Slipknot e hoje faz seu som próprio sem dever em nada aos gringos, lança “Que Seja Feita a Nossa Vontade”.

Capa do álbum 'Que Seja Feita a Nossa Vontade' - Reprodução 
Em “Que Seja Feita a Nossa Vontade”, o Project46 aborda diversos temas que, apesar de serem mazelas da sociedade brasileira, não são tão abordados pelos músicos brasileiros de forma direta e clara. Religião, alienação em massa, política, discrepância social e afins tornam-se um dos álbuns de lirismo mais impactante que ouvi nos últimos tempos. A arte de capa do álbum, tão impactante quanto, reforça e conversa com a proposta da banda, numa simbiose fortíssima.

O grande trunfo de “Que Seja Feita a Nossa Vontade” é certamente o poder de fazer pensar que as músicas possuem. Seja revoltando quem ouve, seja concordando com as visões, seja refletindo e abrindo novos caminhos intelectuais, as letras são acertadas. Músicas como “Erro +55”, “Na Vala” e “Em Nome de Quem?” são verdadeiros tapas diretos em grande parte da sociedade brasileira. E todo o álbum prossegue nessa linha. Pode ser difícil para alguns, porém o importante é fazer pensar e fazer-se entender. E nisso os caras acertaram em cheio.

Instrumentalmente, o salto evolutivo do Project46 é notório. A diferença entre o primeiro álbum dos caras, “Doa a Quem Doer”, de 2011, e “Que Seja Feita a Nossa Vontade”, é gigante. A produção, a cargo da mesma pessoa [Adair Daufembach, excelente trabalho de mixagem e na equalização dos instrumentos], acompanhou a evolução da banda e entrega um álbum que certamente estará na história da cena brasileira do metal pesado.

Para quem tem uma certa identificação com o som, para quem ainda não conhece ou mesmo para quem não gosta, vale a pena uma conferida. Por tudo o que representa, “Que Seja Feita a Nossa Vontade” é altamente recomendado.


“...País do seu jeitinho brasileiro
Do suborno, do dinheiro
Quem dá mais sempre chega primeiro
Da injustiça, o preconceito
Quem nasce embaixo vive em baixo e só sobe pra lavar banheiro
País dos ricos do terceiro mundo
Não paga escola, hospital, cresce largado no mundo
Terra dos falsos
Que não olha no olho mas dá tapinha nas costas depois te fuzila
Fode toda a sua vida
Oh pátria amada, idolatrada, mas não tem quem salve
Será que seus filhos aprendem a lição?
Oh pátria amada, idolatrada, mas não tem quem salve
Não haverá mais perdão
Das igrejas
Uma devoção que é invejável
Que condena um ato falho mas aprova quem paga no ato
E vem com falso moralismo
Torce o nariz pra todo o mundo mas é a merda que fode com tudo
Enquanto a bola for mais importante do que um hospital inteiro
Enquanto as escolas se tornam puteiro
Enquanto o fácil for melhor do que fazer direito
Enquanto o povo troca voto por dinheiro...”

[Project46 – Erro +55]

Deixo-vos com o streaming via Youtube para ouvir o álbum inteiro por aqui! Espero que gostem, e se não gostarem, que pensem a respeito... Não é necessário concordar, só é preciso pensar!


Grande abraço a até a próxima!



1 comentários:

Unknown disse...

Ótimas palavras, recomendação pontual, é muito legal quando um produto nacional têm tamanho potencial, desde o carinho com a capa que para mim é fantástica, até a potencia do som e das letras, infelizmente sei que não vai alcançar as paradas, felizmente sabemos que não é essa a busca, espero que alcancem muitos bons apreciadores que vão pensar, repensar e curtir. Parabéns man.