quinta-feira, 3 de abril de 2014

"O Sujeito" nasce para aproximar o leitor do jornalista, sem intermediários. Autores apresentam suas pautas e interessados financiam a produção.


Qualquer pessoa poderá apresentar projetos de reportagens, mesmo não sendo jornalista diplomado

As possibilidades criadas pela internet e as mudanças que elas trazem ao modelo de negócios das empresas de comunicação estão levando ao surgimento de novas soluções para a produção e distribuição de conteúdo. A mais nova chama-se O Sujeito, um canal de financiamento coletivo de conteúdo jornalístico independente, lançado recentemente. O mecanismo é simples: os autores apresentam suas ideias de pautas e como pretendem desenvolvê-las, qual será o custo e o prazo de produção e as pessoas interessadas apóiam diretamente o jornalista.

O Sujeito nasce como um canal especial do Catarse, a maior plataforma de financiamento coletivo do Brasil. Qualquer pessoa poderá apresentar projetos de reportagens, não será preciso ser jornalista diplomado. As propostas passarão pela curadoria técnica dos gestores do canal e, caso sejam aprovadas, ficarão online por um prazo determinado para receber apoio financeiro direto dos internautas.

“Desde que o jornalismo nasceu, empresas de mídia são as principais responsáveis pela produção de conteúdo. Este é um modelo estabelecido e que ajudou a fundamentar o papel da imprensa como pilar da sociedade por décadas e décadas”, diz Renato Guimarães, um dos fundadores do Sujeito. “Acontece que a internet mudou este jogo. De uma hora para outra, o indivíduo passou a ser publicador também. Emergiram blogs e perfis nas redes sociais que começaram a fazer, em parte, o papel da imprensa, de divulgar notícias. A própria imprensa tradicional buscou maneiras de se reinventar e aposta cada vez mais no digital.”

Com o fortalecimento da troca de conteúdos pela internet, as verbas publicitárias que sempre financiaram jornais e revistas começaram a migrar em um movimento global cuja tendência é favorecer a interação digital no lugar do impresso. Com receitas em queda, as redações começaram a se adaptar, eliminando edições impressas e consequentemente postos de trabalho para jornalistas. As redações hoje têm muito menos jornalistas ao mesmo tempo em que é necessário produzir conteúdo tanto para o meio impresso quanto também para o digital.

“O Sujeito nasce para criar uma possibilidade neste mercado em transição. Queremos disponibilizar um canal para o produtor de conteúdo publicar seu trabalho, que será financiado pelo próprio leitor. Sem intermediários, simples assim”, diz Tomás de Lara, também da equipe criadora do canal. “O leitor se interessa pelo conteúdo, financia a produção daquela pauta e depois tem acesso ao conteúdo em primeira mão, assim como outras possíveis contrapartidas específicas de cada projeto. Esta lógica coloca também nas mãos do leitor a escolha do tipo de conteúdo que quer ajudar a produzir, favorecendo um relacionamento de mão dupla, pela primeira vez de forma consistente", conclui.

Redação O Trem

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