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O blog da Fernanda (Despedida de Ana e Mia) é uma esperança entre todos os sites de apoio. Foi a única coisa que me fez acreditar que há pessoas que podem fazer a diferença. No blog dela vi que tem muitas pessoas que passaram por todos os momentos ruins que essa doença pode proporcionar e conseguiram se recuperar, além disso, se reergueram mais fortes. Confira a continuação do depoimento dela.
"A busca pelo corpo “ideal” começou aos 12 anos. As inúmeras dietas e as várias horas na academia viraram obsessão. Já faz mais de quatro anos que passei a olhar a realidade pelo espelho. E ao refletir sobre tudo de ruim que já aconteceu, percebi um ponto positivo: eu consigo, a partir da minha superação, ajudar outras pessoas que sofrem do mesmo problema e fazer com que se amem mais. Então criei coragem para compartilhar todas as experiências, como forma de alertar as pessoas, os pais e a sociedade, por meio do blog Despedida de Ana e Mia.
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| Fernanda Fahel - Autora do blog Despedida de Ana e Mia |
Enfrentei a anorexia e a bulimia e tenho propriedade para afirmar que magreza em excesso não é sinônimo de saúde, muito menos de felicidade. O transtorno alimentar distorce a imagem que a pessoa tem dela mesma. Quando todos me diziam que eu estava horrível e acabando com a minha vida, me olhava no espelho e ficava satisfeita com os ossos à mostra, mas ainda não era suficiente. Queria emagrecer cada vez mais.
Minha maior necessidade era ser definida pela aparência, e acabava anulando outros fatores como a própria personalidade. Eu tinha um medo enorme de morrer, mas o maior dos medos era de engordar.
Tenho 1,73m de altura e cheguei a pesar 48 kg. Meus cabelos caíam, minhas unhas não cresciam mais, sentia muito frio e meu coração batia mais devagar. Já não saia mais de casa, não sorria como antes e não tinha sonhos. Meu mundo ficou sem cor. Sinto que minha vida ficou em preto e branco todo aquele tempo.
A maior dor não era a do estômago vazio. Era a do sofrimento que eu via os meus pais passarem. Minha mãe não via lógica na minha obcecada vontade de perder peso. Por isso, não compreendia e passamos a discutir muito. Hoje eu sei que tudo era por amor. Meu pai, que sempre foi meu melhor amigo, tinha medo de me abraçar porque achava que poderia me machucar, e também não entendia como a menina alegre de quem ele sempre se orgulhou, tinha mudado tanto.
A família toda fica doente, não só o anoréxico ou bulímico. Todos precisam fazer tratamento. Fui acompanhada por psicólogo, psiquiatra e nutricionista. A terapeuta me orientou a escrever um diário com as angústias e os sofrimentos de todas as experiências ao longo do transtorno. Resolvi, então, expor os relatos pelo blog, e assim levar esperança para quem passa pela mesma situação. A causa da anorexia, o dever da família, como agir…
Melhorei quando percebi que as coisas mais importantes são ter uma carreira, um corpo saudável e muito amor pela família e amigos. É preciso ter fé e coragem. E é exatamente isso que quero transmitir em meus textos.
O espelho cego tem solução, basta querer. Depois de muitos diálogos e persistência, eu meu curei e me despedi de Ana (anorexia) e Mia (bulimia). Elas não me pertencem mais!”
Espero que todo esse texto ajude as meninas a se enxergarem como são. Não por meio de padrões e ideias, não por meio de palavras jogadas, por dedos apontados. No final das contas, nada disso importa se você não consegue aproveitar o que a vida tem de melhor. E o que a vida tem de melhor é sem sombra de dúvidas, a felicidade!


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