terça-feira, 29 de abril de 2014

Muitas pessoas que tem anorexia e bulimia nervosa não aceitam que tem uma doença e por isso não aceitam fazer tratamento



Parte 2 - A autoimagem distorcida


Gostaria de voltar no tempo e dizer a mim mesma para não escutar todos os comentários e não deixar que eles guiassem a forma como me sentia. Gostaria de não ter me escondido tanto e ter sido um pouco mais segura.

Em uma das pesquisas nos sites de apoio a Ana e Mia, cheguei a um comentário de uma mulher que dizia ás meninas como era para ela ser magra demais. No texto ela dizia que não conseguia engordar, que não tinha curvas e que esses fatores aliados a sua altura, resultavam em um perfil que também não era bem visto pela sociedade. Ela dizia que assim como as meninas que queriam emagrecer, ela também sofria muito com o seu corpo e tentava falar que emagrecer exageradamente, como elas fazem, não trazia felicidade, muito pelo contrário. 

Reprodução Tumblr
Senti-me comovida, a menina que também sofre com as imposições de um padrão de beleza, tentava mostrar o outro lado da história. Achei que o sofrimento de ambos os lados poderia fazer com que algumas meninas repensassem o que estavam fazendo consigo mesmas. Mas isso não aconteceu. E depois de ler os comentários seguintes, percebi que devia ter parado no que reconheci como o primeiro bom gesto em meio a toda aquela distorção.

Nos comentários abaixo, li uma menina dizer com orgulho que tinha Ana e Mia como grandes amigas e que a ‘magrela’ não sabia o que era ser chamada por todos de gorda, que ela não sabia o que era lidar com aquilo e que seus comentários deveriam ser apagados. 

Reprodução - Tudo Sobre Ana e Mia
O maior problema está justamente neste tipo de comportamento. Muitas pessoas que tem anorexia nervosa e bulimia nervosa não aceitam que tem uma doença e por isso não aceitam fazer tratamento. Diante disto, como pode esses sites encorajarem as pessoas a terem uma doença, que além de perigosa à saúde, pode levar a morte? Como as meninas podem acreditar que esses quem faz esses conteúdos querem seu bem?

Eu queria dizer para todas essas meninas que elas não precisam disso, se há algo pelo qual querer melhorar é por si mesma e não pela visão dos outros. E que se a vontade de querer mudar continuar, que isso seja feito de forma saudável e com acompanhamento. Mas quem realmente sofre com o dia a dia do transtorno alimentar diria que eu não sei como é. 

Realmente, não entendo por completo e exatamente por isso, pedi à Fernanda Fahel, de 21 anos, criadora do blog Despedida de Ana e Mia, contar um pouco a sua história:

“A anorexia faz com que a vida vire um pesadelo. Diariamente me deparo com vários casos que chocam pela gravidade da doença. Muitos jovens não resistem... Outros conseguem batalhar para enfrentar o problema. E eu sou uma das sobreviventes do transtorno alimentar! (...)"


Confira amanhã a última parte da reportagem: Despedida de Ana e Mia - De como é possível vencer a doença




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