Domingo, 13 de abril de 2014, Estádio Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu. Esta data certamente será lembrada não somente pelas páginas esportivas, mas pelas páginas que ilustram a história de uma cidade que se fez grande, como certo humorista sempre nos fez questão de lembrar. Grande parte da fama atual de Itu começou a ser escrita por Francisco Flaviano de Almeida, mais conhecido como o Simplício de Itu, aquele que sempre fez questão de enaltecer suas raízes por onde passou.
Nascido no interior paulista no ano 1916, este ilustre ituano fez de seu cotidiano simples e humilde sua marca registrada por toda a carreira, adotando o famoso apelido após acompanhar uma trupe circense que passara por sua cidade. Encantado com toda a magia dos brilhantes espetáculos do circo passou a animar as cidades por onde passava com seu humor contagiante e principalmente por sempre afirmar que de onde vinha tudo era maravilhosamente gigantesco.
A ideia de que tudo em Itu é absurdamente grande, começou a ganhar evidência em 1967 quando Simplício difundiu seu amor por sua cidade natal por meio de seu quadro de humor na TV Globo, patenteando frases que ficariam marcadas por gerações de ituanos como "Vai, Ofélia, diga para o homem de que tamanho é abóbora lá de Itu!" e "Não, Ofélia, não é a pitanga, é a abóbora!”.
Mas foi a convite do falecido artista Manuel de Nobrega criador da Praça da Alegria e mais tarde no A Praça é Nossa que Simplício seria nacionalmente conhecido por seu grito de “Ô Hóme!” e onde nunca mais deixaria de citar Itu como a maior cidade entre todas nos quadros em que fazia parte.
Com todo este destaque a cidade passou a fazer jus ao sucesso da televisão e objetos comuns da cidade como orelhões, postes, pontos de ônibus, murais, etc. passaram a tomar um tamanho exagerado tornando se desta forma ponto de atração turística para quem passasse e motivo de orgulho aos habitantes da cidade.
O ex-engraxate circense Simplício nos deixou em fevereiro de 2004 em decorrência de falência múltipla de órgãos. No dia seguinte após a sua morte, os objetos exagerados espalhados pela cidade amanheceram envoltos por laços pretos em respeito a quem sozinho engrandeceu uma cidade inteira por décadas, com seu riso e sua alegria, encantado com sua eterna simplicidade grandiosa os rostos de quem o assistia.
Quando a última penalidade máxima foi cobrada na tarde do dia 13 de abril de 2014, a cidade de Itu foi legitimada por 11 “Simplícios”, logo contra o time daquele que em 1958 fez com que um país se tornasse grande aos olhos do mundo. Naquela tarde o senhor Francisco Flaviano de Almeida, o Simplício pode enfim descansar em paz com a certeza que o seu legado será com honra defendido e que o exagerado é o tamanho do amor que se leva consigo no peito.
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