segunda-feira, 31 de março de 2014

"Portanto como representantes de uma nova era, vamos vestir a saia na história e celebrar longe de toda a imundície das calças arriadas e da mão que reprime"

Vamos entrar em uma máquina do tempo e voltar ao tempo das cavernas, onde o homem descobria e encantava-se com as possibilidades da criação, do fogo, dos objetos para a caça, do senso de coletividade em prol da sobrevivência, das técnicas rudimentares de agricultara e afins. Muitas conquistas, porém por onde andava  a sensibilidade feminina? Quanto muito naquele período delimitava-se em servir de objeto para desafogo e obviamente para a procriação. 

Após entrarmos novamente em nossa máquina do tempo, no caminho de volta até o século XXI vamos acompanhando a evolução do homem, suas invenções, sua luta pela igualdade, pelas oportunidades, pela justiça, pela democracia, enfim pelo direito de estar sobre seus próprios pés.  E a mulher? Em que ponto foi deixada a própria sorte pela história? Pois foi esquecida, marcada a ferro e fogo pelo poder dos músculos, permaneceu aos nossos olhos congelada e a deriva de um palavrão bem sucedido da inobservância masculina. 

Fosse às cobiças dos grandes impérios, fosse pela Idade Média, pelas invasões barbaras e covardes aos vilarejos ou pelas grandes guerras, a ameaça ao pudor feminino se fez ali presente e armada com uma foice intimidadora em vosso ventre. Deixou-se uma rosa sobre um poema manjado a ponto de nem ao menos sua mão segurar, o choro reprimido de uma mulher, que nem a maquiagem conseguiu fazer borrar estas tantas mazelas que tens há décadas cruelmente suportar. 

Desembarcamos nos ano de 2014 e a figura da mulher ainda anda longe de ter o devido valor retribuído após séculos de desvalorização. Mesmo com mulheres em cargos públicos, em grandes corporações ou sendo destaques em eventos esportivos a questão não é simplesmente “chegar lá” é estar lá e não ter o seu valor estuprado, pela visão doentia escondida na massa, que grita: “A mulher nunca deveria ter sido mais do que os primeiros anos da idade da pedra”. É poder desfilar nesta selva de pedra, embarcar e desembarcar como uma legitima representante de sua identidade e fazer jus a o seu valor.

Portanto como representantes de uma nova era, vamos vestir a saia na história e celebrar longe de toda a imundície das calças arriadas e da mão que reprime. O estado machista e o rebate feminista são tolos embates que nunca souberam concordar, porém que nunca se apague aquela feliz lembrança de quando crianças estávamos todos juntos no parquinho a rodar.





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