O assunto é levantado, a discussão é iniciada e os argumentos tomam caminhos dos mais variados. O levante popular, aquele que gerações lutaram para estabelecer por direito, a voz que vem de dentro do peito quando infla-se os pulmões, e puxa-se o gatilho das palavras que mergulhavam pela cabeça como se pedissem para serem disparadas, bate de frente contra muros antes nem imaginados.
Vamos ás claras do assunto, se dissessem que a censura ao pleito da opinião viria de alguém com os mesmos poderes e direitos que você, seria estranho? Teoricamente sim. Dentro de uma esfera social são estabelecidos padrões de estética, de moral, costumes, formas de escritas e afins para colocar indivíduos com bruto poder de persuasão no topo da cadeia opinativa do senso comum, enquanto outros que não gozam da classe econômica do trem da “Maria vai com as outras” são submetidos a uma espécie de julgamento social.
Tem-se por habito culpar autoridades, mais especificamente chefes de governo, por atos de censura e repressão da liberdade de expressão, porém a coisa ali é o corpo máximo da atrocidade que, como qualquer outro organismo, começa com uma pequena célula que junta se a outra aqui e outra ali que compartilhando da mesma síndrome forma um composto celular. Aplicando ao tema opinativo seria algo como repreender aquilo que fere uma vertente ideológica em comum, sendo mais claro “este é meu espaço, está é minha opinião e a sua pouco me interessa”, “eu prefiro assim e será assim”.
Pode não soar estranho a principio devido ao pressuposto que cada um cuida do que lhe pertence senão fosse o simples fato de muitas destas imposições serem aplicadas em ambientes de espaço público ou onde todos deveriam expor suas vontades. Uma Ágora moderna que muitos filósofos sonharam para nossa era em que o direito da palavra ficasse a cargo do seio de tua terra sem a necessidade de um alto falante frente a boca ou uma fantasia escancarada de libertador pitoresco.
A Ágora hoje e ontem foram utópicas, fala quem tem súditos e abanadores como rainhas de grandes impérios que a defenderiam com unhas e dentes e o que vem do povo é demais para as regras impostas por poucos. Muitas opiniões e ideias nunca nem chegarão a serem conhecidas ou barradas por autoridades, pois os esparadrapos aqui em embaixo andam em alta entre os plebeus e plebeias com coroas compradas na feira de bugigangas.


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