terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

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Em um palco, a leveza da bailarina se completa com o vigor e a virilidade masculina. Apesar de tabu para muitos, o estereótipo do bailarino “sensível”, cai frente à história do surgimento do balé. Por volta do século XVIII, os homens eram o destaque nos espetáculos. 

O papel masculino é fundamental na dança e, embora os movimentos sejam específicos para cada gênero, as academias de balé ainda encontram dificuldades para abrir turmas específicas de garotos. No Brasil, por volta do século XX, a dança surgiu como atividade extracurricular, nas escolas de ensino fundamental, destinada somente as mulheres, o que contribuiu para a barreira cultural que reflete, até hoje, em relação à prática pelos homens. “Normalmente eles começam a estudar mais tarde do que as garotas e por isso precisam de aulas focadas nos movimentos atribuídos a eles em uma coreografia”, explica a bailarina e professora Luciana Junqueira.

De família humilde, vindo do norte de Minas Gerais, o agora bailarino profissional Nathan Barbosa, 28 anos, compreende não só a dificuldade de aceitação, como a oportunidade financeira para adentrar ao universo da dança clássica. “Aos 14 anos, descobri que dançar era o que eu queria. Minha primeira chance foi em uma banda de baile”, conta. Ele dá risadas ao relembrar o ciúme que o assédio a ele provocava nas meninas com quem flertava na época. “Por me dedicar bastante, uma professora de Montes Claros (MG) falou sobre uma bolsa de estudos em Ribeirão Preto. Graças a essa abertura hoje me sinto completo”, explica.

A dança também pode ser uma forte aliada dos esportes. Por traz dos músculos do pugilista Evander Holyfield, existe uma alma bailarina responsável por muito de suas vitórias. Ele descobriu que o balé poderia ser uma arma poderosa nos ringues e começou a frequentar aulas no final de 1980 para garantir a flexibilidade, que ele usou em esquivas no ringue, evitando muitos nocautes. Para além de todo o preconceito, fica a certeza: Para ser um bailarino, é preciso ser muito homem!


Redação O Trem


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