sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

E vamos nessa, galera dO Trem! Bem vindos a mais uma aleatoriedade semanal!

Sou brasileiro e nunca saí de São Paulo, terra do Caos Cinza. Não que isso seja ruim; digo isso para começar o artigo desta semana. Isto porque existem coisas que somente aprendemos pela vivência, e por mais que nos tragam imagens, sons e histórias do acontecido ainda sim por muitas vezes é muito difícil aprendermos efetivamente as mazelas de certas coisas.

Uma destas coisas é a Guerra. A maioria de nós hoje ouve muito e vê algumas coisas sobre isso, mas sentir, saber como é estar lá... Isso é outra história.

É preciso que algo seja uma verdadeira obra de arte para passar qualquer sentimento com maestria, seja ele bom ou ruim. E hoje vou falar de uma destas obras primas, que consegue nos fazer experimentar todos os sentimentos, não da Guerra em si, mas de um país, de pessoas comuns, de vidas inocentes. Falarei de uma das obras mais belas que o mundo já produziu: Trata-se de Hotaru No Haka, ou O Túmulo dos Vagalumes aqui no Brasil. AVISO: Pode conter spoilers!

Reprodução / Anfreak
[Estes são Seita e Setsuko. Você provavelmente nunca mais se esquecerá deles]
Hotaru No Haka possui o selo de qualidade do Studio Ghibli, muito embora não tenha sido dirigido por Hayao Miyazaki, e sim por um de seus parceiros no estúdio, Isao Takahata. Foi lançado há algum tempo já [1988] não obstante jamais perderá suas cores e mensagens.

O pai de Seita e Setsuko acaba de ser convocado para a Guerra, por ser oficial da Marinha. Pouco tempo depois, os irmãos perdem a mãe, em um bombardeio. E a partir daí começam as mazelas da longa jornada dos dois irmãos.

A premissa é esta, simples... Muito embora já na primeira cena do filme sejamos avisados que não haverá um final feliz. Os sentimentos humanos mais negativos, como a mesquinhez e a indiferença, são extremamente explorados. Seita e Setsuko são vítimas dos adultos, do sistema, de seus próprios familiares remanescentes... E em meio a tudo isso, Seita tenta preservar a inocência e os sorrisos leves e fáceis de Setsuko, fazendo verdadeiros milagres com sua última lata de balas doces. Doces como a vida dos dois deixou de ser.

Mais do que uma obra-prima da animação mundial, Hotaru No Haka nos passa uma mensagem que para mim é bastante clara: Não há justificativa para nenhuma Guerra. Não há mérito em vencer nem demérito na derrota... Todos perdem. Todos. E os momentos dolorosos [os mais dolorosos que senti na vida até hoje assistindo algo] de Seita e Setsuko, em contraste com sua luta a cada segundo pela vida, pela sobrevivência, por um mundo aonde não haja sofrimento, são primorosos e entram na carne, fazendo os ossos tremerem e doerem. Quem assiste Hotaru No Haka sai transformado da sessão. Os pequenos vagalumes que pousam nas mãos de Setsuko e lhe arrancam sorrisos possuem esse poder. Ao mesmo tempo, a parca luz dos vagalumes nos passa uma mensagem: Porque a atração do Homem pela escuridão com tanta luz no mundo? Porque os adultos simplesmente não aproveitam a luz dos vagalumes e fazem dela os melhores momentos, ao invés de disseminar a escuridão que os preenche e os mata? A troco de quê? Para quê crianças devem morrer em uma guerra?

Assistir Hotaru no Haka é uma experiência única. Para quem se atrever, deixo link para vídeo legendado no Youtube. Espero que a mensagem chegue aos corações de todos... E que jamais precisemos vivenciar os horrores de uma guerra novamente, que aprendamos com nossos erros do passado... Que sejamos o que os Humanos podem ser de bons.



“Se a Humanidade for boa, destruirá a bomba. Se for má, será destruída por ela.”
[Nehru, governador Indiano (1889-1964), sobre a bomba atômica]

Até a próxima semana e grande abraço.



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