É o que nos leva a refletir Ricardo Thaler, estudante de Gestão Ambiental na USP. Ele é o vencedor do prêmio Green Project Awards Brasil 2013 na categoria Iniciativa Jovem com o projeto Quero Verde, que propõe transformar resíduos de feiras livres em adubo. Ricardo atua como educador ambiental e é empreendedor social da Cadico Minhocas. E tem apenas 23 anos.
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| Ricardo Thaler na entrega do Green Project Awards Brasil 2013 |
Como surgiu a ideia de fazer Gestão Ambiental?
Quando estava no ensino médio, era muito bom em exatas, cheguei a gabaritar na Fuvest, e por isso minha primeira opção de curso de gradução foi Física Computacional no IFSC, USP de São Carlos. Mas em 3 meses vi que não era para mim e abandonei o curso sem terminar o primeiro semestre. Passei a trabalhar como tutor de física, química e matemática. Quando fui prestar novamente o vestibular, Gestão Ambiental chamou minha atenção por ser no campus Leste, mais próximo de Guarulhos, onde nasci e moram meus pais até hoje. Outro fator decisivo foi o exame de Física, prioritário para ingresso na segunda fase, o que me dava muito mais chances de passar. Depois de aprovado que caiu a ficha do que era, mas foi bom e logo em seguida passei a mudar meu foco de atuação. Me tornei professor de horta para as crianças do fundamental I e comecei a desenvolver trabalhos socioambientais dentro da escola com um grupo de alunos do ensino médio. Eu tinha entre 18 e 19 anos.
Como surgiu o projeto Cadico Minhocas?
Desde o começo da graduação passei a atualizar-me sobre o que havia de mais inovador em tecnologias para o meio ambiente. Foi nesse momento que conheci a permacultura, que é uma ciência que une a sabedoria tradicional com o conhecimento científico e tem uma ampla gama de tecnologias para o cuidado com a terra, uma delas é o minhocário. Comecei a encomodar-me com o fato de saber que minhas cascas podiam virar adubo, mas ao invés disso as embalava em plástico e transferia a responsabilidade sobre o que gerei para o serviço público. Isso significa dizer: “sei lá pra onde vai, mas não é problema meu mais”. Fui atrás para saber mais sobre o assunto e descobri que existia minhocários comerciais, mas que o mais barato custava R$150,00. Demais para quem na época ganhava R$ 360,00 e pagava aluguel de uma garagem para morar. Então resolvi adaptar a mesma tecnologia para baldes que encontrava sujos em comércios. Os primeiros testes deram muito errados. Cheiro ruim, vermes, mas com paciência fui entendendo o sistema e hoje até a secretaria de serviços públicos da cidade me convida para falar sobre minhocários nas conferências municipais de meio ambiente. No final de 2010 dei minha primeira oficina de minhocário, no Tatuapé. A aceitação do público foi muito positiva e decidi criar o blog Cadico Minhocas para divulgar mais o assunto. Hoje meu foco está em mostrar para as pessoas que a única barreira para elas não terem um minhocário é a vontade delas. porque possibilitei acesso à informações de como criar um de baixo custo.
Fale do projeto Quero Verde.
Ricardo: O fato de eu ter atingido um alto nível de satisfação com as oficinas e a disseminação na internet me fez querer ir além. O projeto visa transformar os resíduos das feiras livres em adubo para plantar floes, plantas medicinais e aromáticas, mudas de hortaliças (alface, rúcula, etc) e, em seguida, vendê-las por meio de assinaturas e entregar de bicicleta.
Qual a importância de vencer o prêmio?
Adoro esses prêmios formais, pois eles acabam convidando mais pessoas a terem contato com esse trabalho. O valor que dou para eles é a chance de ampliar mais e mais. No entanto, ao me dedicar em mudar a realidade, fazendo o que acredito, e arrancando sorriso e brilho no olho dos outros em minhas oficinas, eu recebo o verdadeiro prêmio.
O que pensa da sustentabilidade para os próximos 10 anos?
Acredito que a sustentabilidade como ambiente, sociedade e economia, é uma questão muito mais psicológica e espiritual do que administrativa e educacional. Colocar o lixo numa sacolinha e deixar na rua para que “alguém” pegue não é o ato mais sustentável que podemos fazer. Precisamos deixar de lado algumas ações mesquinhas que adotamos. É hora de fazer alguma coisa pela sustentabilidade.
Saiba mais acessando ao BLOG do Cadico Minhocas!
Ká Sakamoto
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