segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O que você está deixando para as próximas gerações? Os recursos do planeta que usamos estão cada vez mais escassos. No entanto, essa preocupação não deve ser apenas do governo. Nós somos responsáveis pelas nossas ações, e devemos pensar no que fazer para garantir que as gerações futuras também possam ter acesso a esses recursos.

É o que nos leva a refletir Ricardo Thaler, estudante de Gestão Ambiental na USP. Ele é o vencedor do prêmio Green Project Awards Brasil 2013 na categoria Iniciativa Jovem com o projeto Quero Verde, que propõe transformar resíduos de feiras livres em adubo. Ricardo atua como educador ambiental e é empreendedor social da Cadico Minhocas. E tem apenas 23 anos.

Ricardo Thaler na entrega do Green Project Awards Brasil 2013
Confira a entrevista!

Como surgiu a ideia de fazer Gestão Ambiental?
Quando estava no ensino médio, era muito bom em exatas, cheguei a gabaritar na Fuvest, e por isso minha primeira opção de curso de gradução foi Física Computacional no IFSC, USP de São Carlos. Mas em 3 meses vi que não era para mim e abandonei o curso sem terminar o primeiro semestre. Passei a trabalhar como tutor de física, química e matemática. Quando fui prestar novamente o vestibular, Gestão Ambiental chamou minha atenção por ser no campus Leste, mais próximo de Guarulhos, onde nasci e moram meus pais até hoje. Outro fator decisivo foi o exame de Física, prioritário para ingresso na segunda fase, o que me dava muito mais chances de passar. Depois de aprovado que caiu a ficha do que era, mas foi bom e logo em seguida passei a mudar meu foco de atuação. Me tornei professor de horta para as crianças do fundamental I e comecei a desenvolver trabalhos socioambientais dentro da escola com um grupo de alunos do ensino médio. Eu tinha entre 18 e 19 anos.

Como surgiu o projeto Cadico Minhocas?
Desde o começo da graduação passei a atualizar-me sobre o que havia de mais inovador em tecnologias para o meio ambiente. Foi nesse momento que conheci a permacultura, que é uma ciência que une a sabedoria tradicional com o conhecimento científico e tem uma ampla gama de tecnologias para o cuidado com a terra, uma delas é o minhocário. Comecei a encomodar-me com o fato de saber que minhas cascas podiam virar adubo, mas ao invés disso as embalava em plástico e transferia a responsabilidade sobre o que gerei para o serviço público. Isso significa dizer: “sei lá pra onde vai, mas não é problema meu mais”. Fui atrás para saber mais sobre o assunto e descobri que existia minhocários comerciais, mas que o mais barato custava R$150,00. Demais para quem na época ganhava R$ 360,00 e pagava aluguel de uma garagem para morar. Então resolvi adaptar a mesma tecnologia para baldes que encontrava sujos em comércios. Os primeiros testes deram muito errados. Cheiro ruim, vermes, mas com paciência fui entendendo o sistema e hoje até a secretaria de serviços públicos da cidade me convida para falar sobre minhocários nas conferências municipais de meio ambiente. No final de 2010 dei minha primeira oficina de minhocário, no Tatuapé. A aceitação do público foi muito positiva e decidi criar o blog Cadico Minhocas para divulgar mais o assunto. Hoje meu foco está em mostrar para as pessoas que a única barreira para elas não terem um minhocário é a vontade delas. porque possibilitei acesso à informações de como criar um de baixo custo.

Fale do projeto Quero Verde.
Ricardo: O fato de eu ter atingido um alto nível de satisfação com as oficinas e a disseminação na internet me fez querer ir além. O projeto visa transformar os resíduos das feiras livres em adubo para plantar floes, plantas medicinais e aromáticas, mudas de hortaliças (alface, rúcula, etc) e, em seguida, vendê-las por meio de assinaturas e entregar de bicicleta.

Qual a importância de vencer o prêmio?
Adoro esses prêmios formais, pois eles acabam convidando mais pessoas a terem contato com esse trabalho. O valor que dou para eles é a chance de ampliar mais e mais. No entanto, ao me dedicar em mudar a realidade, fazendo o que acredito, e arrancando sorriso e brilho no olho dos outros em minhas oficinas, eu recebo o verdadeiro prêmio.

O que pensa da sustentabilidade para os próximos 10 anos?
Acredito que a sustentabilidade como ambiente, sociedade e economia, é uma questão muito mais psicológica e espiritual do que administrativa e educacional. Colocar o lixo numa sacolinha e deixar na rua para que “alguém” pegue não é o ato mais sustentável que podemos fazer. Precisamos deixar de lado algumas ações mesquinhas que adotamos. É hora de fazer alguma coisa pela sustentabilidade.

Saiba mais acessando ao BLOG do Cadico Minhocas!


Ká Sakamoto

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