Povo dO Trem, mais uma vez bem vindos a mais uma aleatoriedade semanal! E hoje peço licença para falar de um dos maiores escritores da história e a sua melhor obra, que é muito pouco valorizada por terras tupiniquins – creio eu, que pela sua temática agressiva e sua linguagem forte: Falarei de “1984”, obra-prima de George Orwell!
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| [O “Grande Irmão” te observa... lembra algo?] |
Em 1984, acompanhamos Winston Smith, funcionário do Ministério da Verdade da Oceânia, um dos três grandes mundos do universo de 1984. Neste ministério, Winston manipula as informações do passado, de modo a sempre favorecer o regime que governa a Oceânia, assim adulterando todo uma história. Em todos os locais há uma “teletela”, que é um aparelho com conexão direta com a administração governamental, mostrando todos os trejeitos de vida dos cidadãos para o governo, ao passo que também exibe propagandas do “Partido”, os governadores de Oceânia. O lema do “Grande Irmão”, o governador de Oceânia, e claro, de seu partido, é “Guerra é paz; Liberdade é escravidão; Ignorância é força.” E assim o povo vive, sendo mazelado, enganado, mas docilmente administrado pelo governo de Oceânia e sua opressão assistida. Para que a população use sua intelectualidade cada vez menos, é criada a novafala, dialeto oficial da Oceânia, que mistura e contrai diversas palavras a fim de criar um vocabulário que diminua cada vez mais.
Winston sabe que tudo o que passou de mal em sua história deve-se a toda a sujeira do Partido, e cogita inúmeras teorias em sua cabeça, desde que o Grande Irmão está morto ou jamais existiu, visto que sua presença física jamais fora mostrada ao povo, bem como do principal traidor da nação, Emmanuel Goldstein, personagem que durante dois minutos todos os dias é xingado e amaldiçoado por toda a população da Oceânia em um ritual conhecido como “Dois Minutos de Ódio”. Paralelamente, Winston sente atração por Julia, uma bela jovem que simpatiza com o partido e que faz parte de um grupo de jovens que demoniza o sexo, sendo uma das lideranças em seu posto de trabalho.
Até que, um dia, Winston recebe um pequeno bilhete de Julia com uma declaração. Os dois encontram-se em um local isolado, e se tornam um casal ‘transgressor’, visto que somente o governo pode dar sanção aos casais e mesmo o sexo é de certa forma controlado. Winston sente-se vivo e decide que, mesmo que seja muito pouco, quer lutar contra o sistema e vai usar para isso seu amor por Julia. Mesmo com a ameaça da Polícia das Ideias [polícia que caça os donos de duplipensamento (pensamento dúbio ou perigoso) para torna-los impessoas (pessoas que não existem mais, ou melhor, que nunca existiram)], Winston segue e Julia o acompanha. Os dois decidem compartilhar um quarto juntos em uma das periferias da Nova Inglaterra.
Neste mesmo período, Winston fica mais chegado a O’Brien, colega de trabalho em quem Winston sempre sentiu inspirar certa confiança. O’Brien dá a Winston sinais de que existe uma Resistência, que esta é forte e que ele pode fazer parte dela. Winston fica cada vez mais confiante de que o futuro pode ser melhor.
“1984” é de um teor de complexidade magnífico, mas acima de tudo é uma leitura obrigatória. Concordando ou não com os ideais que Orwell tenta passar na obra [de certa forma é clara a alusão ao governo do Partido aos regimes fascistas, comunistas e nazistas do meio do século XX], é inegável que “1984” é uma obra que abre os olhos e a mente. Que te faz pensar em tudo. Que te faz comprar certas coisas do livro com a realidade dos nossos dias. E uma de suas principais características: É uma espécie de ‘alarme de incêndio’, pois ao menor sinal de um governo opressor como o da Oceânia, quem conhece a obra já se sente impelido a mobilizar-se. De fato, durante as manifestações de junho/julho deste ano, muitas pessoas foram vistas fazendo referências a “1984”. E não é à toa.
Não falarei do desfecho do livro para não entregá-lo todo, mas digo para os meus amigos leitores que é além de um exercício de leitura magnífico, surpreendente. O mais surpreendente é que nada que é explicitado na obra é surreal... Muitas das coisas que lemos nos assombram por serem absurdamente próximas à nossa realidade.
Para quem se interessar, desejo uma leitura cheia de pensamentos e reflexões, que agregue o que já se têm de pensamento crítico. Que seja feito um limiar entre o que se acredita e o que se teme, e que acima de tudo, que este limiar seja uma ferramenta poderosa em caso de necessidade. Orwell sempre desejou isso em vida. Conseguiu magistralmente comigo e muitas outras pessoas... E tem tudo para conseguir com você, meu querido leitor.
Obrigado mais uma vez e até a próxima, galera!!!


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