quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Reflexões sobre o jornalismo opinativo


“Dizem que ofendo as pessoas. É um erro. Trato as pessoas como adultas. Critico-as. É tão incomum isso na nossa imprensa que as pessoas acham que é ofensa. Crítica não é raiva. É crítica. Às vezes é estúpida. O leitor que julgue. Acho que quem ofende os outros é o jornalismo em cima do muro, que não quer contestar coisa alguma.”  (Paulo Francis)

Paulo Francis - Reprodução / Ibamendes.com
Paulo Francis, ou para os íntimos, Franz Paul Trannin da Matta Heilborn, morreu de um ataque cardíaco – sentia dores no peito na semana de sua morte, as quais foram estupidamente diagnosticadas como uma bursite – numa terça-feira, quatro de fevereiro de 1997. Vivia em Nova York, lugar de onde ditava colunas inteiras por telefone para jornalões do país, além de abrilhantar o Manhattan Connection com comentários perspicazes e espirituosos (enquanto imitava Humphrey Bogart ou entonava marchinhas do carnaval carioca).

Como faz falta um Francis! Vivemos no tempo da crítica a favor, do opinante cheio de cuidados – preocupado não com a forma, estilo ou embasamento de seu texto, mas em agradar seus confrades. Não é mais necessário qualquer pingo de erudição, nem mesmo aprofundamento no próprio assunto sobre o qual se pretende opinar. No fim, mal é preciso saber escrever – bastando somente que haja vontade e sujeição ao aceitável determinado pela sabedoria das redes sociais.

Como seria irrelevante um Francis! Afinal nem existem mais debates. O homem bom e correto, ao ser contrariado, só precisa gritar: Fascista! Fascista! Pronto, debate encerrado! O homem justo venceu. Torna-se, de imediato, um Abraham Lincoln, um Martin Luther King Jr*.

É evidente que existem exceções – poucas – mas suficientes para encher de fúria à turma da desordem e do progresso. São os estraga-prazeres. Os do contra. Francis estaria entre eles, provavelmente cheio de tédio por ter de dialogar com o não argumento, a não perspicácia, o não humor, o não raciocínio, o não apreço pelo que se escreve. Ele veria, através de seus fundos de garrafa, a profusão incessante das lagartixas pré-históricas sorridentes.

* Para o caso do homem piedoso achar Fascista muito démodé, a alcunha de Rottweiler está bombando. E claro, na dúvida, chamar alguém de direitista no exato momento em que se reviram os olhos será sempre batata!





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