segunda-feira, 25 de novembro de 2013



Gosto de ser brasileira, poderia dizer centenas de qualidades desse povo animado, porém acompanhando esses assuntos atuais de mensalão, mensalinho e mensalados, lembrei de um livro (muito bom por sinal) chamado “O que faz do Brasil, brasil? 

O autor Roberto Damatta fala, dentre outras coisas, sobre a malandragem, o “jeitinho” e o “Você sabe com quem está falando?”, características do modo brasileiro de burlar as leis que se tornam desmoralizadas.  O jeitinho é a forma de conciliar os interesses das duas partes, sendo um modo ou estilo de realizar as coisas, até mesmo apelando para a hierarquização com a fala: "Você sabe com quem esta falando?". Já o malandro é o profissional do jeitinho, que resolve situações complicadas com facilidade, conhecida também como gambiarra.

No Brasil não se leva as leis a sério, já que sempre existe um “jeitinho” de burlar, como por exemplo, em situações típicas do dia-a-dia: diante de uma placa de proibido estacionar, proibido fumar, vagas para deficientes,  e blá blá blá.

 Uma observação interessante do autor é a comparação com a forma americana e europeia de ordem, em que não existem essas leis, porém é tudo mais organizado, todos respeitam e obedecem, pois nesses países ou as regras são cumpridas ou elas NÃO existem. De certa forma interpretamos essa obediência às leis (por parte dos americanos e europeus) como sendo civilização, disciplina, educação e ordem, quando na realidade é decorrente de uma simples coerência entre prática social e o mundo constitucional e jurídico, ou seja, existe uma confiança por parte da sociedade para com o seu governo, o que sentimos falta no Brasil. 
Nessas sociedades não existem diferenças nas diversas escalas ou camadas sociais. Já no Brasil temos o “jeitinho” que privilegia algumas classes ou pessoas, que sabendo da impunidade cometem crimes dos mais variados, e não são punidos enquanto outras classes menos privilegiadas são condenadas até por crimes dos mais banais.

Quem nunca viu o amigo ser atendido primeiro, o parente receber um privilégio, o “mais chegado” ter direito ou até mesmo “aquele que me convém é que vou ajudar”?

O jeitinho brasileiro e a malandragem são formas infantis e imaturas de fugir das responsabilidades, consequência de um grande número de leis absurdas e incoerentes criadas por um Governo descompromissado com a verdadeira ordem. Será que a frase que diz que o que é proibido é mais gostoso é realmente aplicável? Pra que tanta regra? 

Dá-lhe jeitinho brasileiro!!! (mas claro que não são todos brasileiros, os leitores desse querido blog não são assim, com certeza!)

Pra quem ainda não leu o livro, fica a dica!



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