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| Reprodução / InfoEscola |
Bom, minha intenção a princípio era falar da questão social, abranger o máximo possível do assunto desde suas bases pra melhor compreensão. Porém meu lado artista de ser, com meu espírito dramático, tem vontade própria, sempre energizando minhas falas e escrita. Portanto, não estranhem se aparecerem emoções onde não deveriam, pois me deixo levar por elas. Meu objetivo não é defender comunismo, nem socialismo, não sou de esquerda , nem de direita, mas sou um "corpo" em movimento procurando equilíbrio e igualdade.
É importante ficar claro que, minha simpatia pelo marxismo é principalmente pelo fato de ser uma teoria que melhor explica a questão social através do materialismo histórico dialético, ou seja, explica que a desigualdade é uma questão histórica, e que toda injustiça sofrida no passado ainda reflete no presente, portanto, apesar de a teoria de Marx ser excelente para compreensão do contexto social atual, é falha se pensarmos como solução política, mesmo sabendo que até hoje não empregaram com fidelidade os pensamentos dele.
Poderia citar uma tribo indígena como comunidade socialista perfeita? Claro que a oposição (deixo claro que gosto da oposição e dos “Paulos Francis”), vai dizer que eles são primitivos e atrasados. Acredito que seria impossível empregar o socialismo visto que o homem não abre mão do “espírito individualista moderno”.
O capitalismo é mais do que apenas almejar riqueza e sucesso, o capitalismo é também todo esse espírito de competitividade, individualidade, e vantagem que precisamos ter sobre o outro, em que é necessário nos destacarmos para termos o melhor emprego, com o melhor salário, para no fim, podermos: consumir, (mais conhecido como o verbo TER). Deixamos de almejar o ser; ser companheiro, ser generoso, ser bondoso, ser educado, para termos. Afinal de contas, pra que trabalhar tanto? Para ter... ter o carro do ano, ter eletrônicos modernos, ter roupas de grife, ter ter ter. Porque no sistema capitalista, bem sucedido é aquele que tem.
O capitalismo, como uma das suas principais características, tem o acúmulo do capital para girar a “roda da economia”. Então, quem detém o capital é quem tem as melhores condições de moradia, acesso aos recursos, educação, saúde e etc. Enquanto isso, quem está do outro lado como “engrenagem do sistema”, os trabalhadores que não detêm a renda nem o capital, estão na extremidade inferior da relação. Logo, percebe-se um contexto de desigualdade social, gerada primordialmente pela diferenciação econômica entre pessoas e pessoas, classes e classes, sociedades e sociedades. É muita ilusão, acreditar que alguém ficará rico trabalhando como proletário, a menos que seu salário seja muito maior que o valor da sua “alforria”, (ops, quis dizer mão-de-obra). O que você vai adquirir é “poder de consumo” e não riqueza (salvo quem joga na tele sena ou na loteria).
É ingenuidade achar que o fato do seu poder de consumo aumentar, significa que seu status social aumentou também. Um exemplo simples são as comunidades do morro. Hoje já é possível ver casarões no morro, carros do ano, e eletrônicos, e o pensamento neoliberalista se orgulha em dizer que isso é graças ao capitalismo. Eles ignoram, no entanto, a falta de saneamento básico, a falta de saúde, estrutura nas residências construídas, a precariedade escolar, a criminalidade, o fato de muitos adolescentes da comunidade não saberem ler e escrever , e agora me diga, que tipo de desenvolvimento social é esse? Poder de consumo? As grandes empresas e até o Governo só querem que nós consumamos mais, e mais, e mais, por isso injetam dinheiro na economia. Isso é um falso desenvolvimento, é um ciclo vicioso que só alimenta o capitalista, e nos dá uma falsa sensação de Ascenção social. Comparo isso ao consumo de garapa dos nordestinos, pra quem não conhece, garapa é água com açúcar, os nordestinos dão para os filhos “tapiarem” a fome. Consomem todo dia e, apesar da barriga saliente, sofrem de desnutrição grave, e assim também é o consumo da nossa sociedade, todos consumimos, mas somos desnutridos: de saneamento, educação, moradia e assim por diante.
As pessoas que não conseguem estudar e melhorar suas condições de vida infelizmente tornam-se cada vez mais atrasadas, resultando na dificuldade em conseguir emprego e renda. Em contrapartida, as pessoas com melhor grau de instrução, tendem a cada dia mais se atualizar e renovar seus conhecimentos, fazendo com que suas oportunidades sejam mais amplas. Não radicalizando, mas dessa questão posso tirar centenas de outras questões sociais, pois um desempregado pode se tornar um alcoólatra, um alcoólatra pode desestruturar uma família, uma família desestruturada pode gerar um criminoso, e por aí vai, tudo derivado do .... (vou deixar você responder). É o que diz o velho ditado popular: “O rico cada vez fica mais rico e o pobre cada vez fica mais pobre.”
Segundo Rousseau, “a desigualdade tende a se acumular. Os que vêm de família modesta têm, em média, menos probabilidade de obter um nível alto de instrução. Os que possuem baixo nível de escolaridade têm menos probabilidade de chegar a um status social elevado, de exercer profissão de prestígio e ser bem remunerado. É verdade que as desigualdades sociais são em grande parte geradas pelo jogo do mercado e do capital, assim como é também verdade que o sistema político intervém de diversas maneiras, às vezes mais, às vezes menos, para regular, regulamentar e corrigir o funcionamento dos mercados em que se formam as remunerações materiais e simbólicas.”
A quem interessa que continuemos sem educação? (vou deixar você responder)
Enquanto a classe baixa é tragada pelo sistema, a classe média é ludibriada pelo consumo. E a classe alta? Essa já perdi de vista.
Para concluir Marx diz: “Quanto menos comes, bebes, compras livros e vais ao teatro, pensas, amas, teorizas, cantas, sofres, praticas esporte, etc., mais economizas e mais cresce o teu capital. És menos, mas tens mais. Assim todas as paixões e atividades são tragadas pela cobiça".
Enquanto a classe baixa é tragada pelo sistema, a classe média é ludibriada pelo consumo. E a classe alta? Essa já perdi de vista.
Para concluir Marx diz: “Quanto menos comes, bebes, compras livros e vais ao teatro, pensas, amas, teorizas, cantas, sofres, praticas esporte, etc., mais economizas e mais cresce o teu capital. És menos, mas tens mais. Assim todas as paixões e atividades são tragadas pela cobiça".
Sugiro o documentário "Ilha das Flores", que mostra um pouco dos assuntos abordados neste texto, para provocar um pouco mais a sua reflexão.


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