quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Jack Kerouac -  Reprodução/The Guardian
I
Na segunda-feira São Paulo amanheceu com cara de São Paulo. A garoa constante cobria com suas gotículas despreocupadas o pouco do vento frio que havia. O frio paulistano. Não é frio de verdade, obviamente! Ele ficará envolto em você, o frio, e de qualquer garoto ou garota cujas procuras essenciais da vida não sejam olhares preguiçosos de compaixão. Pausa. Acendo um cigarro ao sair do metrô. Meninas caminham com saias acima do joelho - estudantes de arte visitando o MASP ou cocotes modernas tentando dar o seu toque de estilo a uma Avenida Paulista cheia de prédios indiferentes, e do ar de indiferença das próprias cocotes que na verdade não entendem direito o que estão fazendo. As obras mais importantes de suas vidas são as maçãs coradas de suas bochechas ou a delicadeza de seus joelhos. De fato são importantes. Os elementos estéticos de um logos puramente conceitual e pronto a explodir cheio do vazio cosmopolita, um vazio divino circundado pelo cheiro de jornais, fumaça – de cigarro e dos veículos tristes, imponentes, e cansados – tinta de caneta, e cadernos recém-comprados. Talvez o cheiro vaze do logos, em uma espécie de concessão aos nossos narizes orgulhosos.

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II
Saíram, em livro, os artigos esportivos da juventude de Gay Talese. Na língua original. Penso nisso enquanto escrevo, e lembro-me de minha leitura presente, o belíssimo romance Giovanni, de James Baldwin.

Tobin Sprout, o grande gênio por trás de muitas melodias do Guided By Voices – e gênio por si só em suas canções abarrotadas de sentido – lançou outro livro infantil esse ano.

Quem se lembra deles? Eu me lembro. Lembro-me também de Kerouac – how can a man lie and say shit when he has gold in his mouth. Não poderia esquecer-me disso, enquanto espalho-me por aí, observando.








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