![]() |
| Juliano Torres |
O libertarianismo é uma filosofia política em cujo centro reside a defesa da liberdade individual. O termo surgiu do inglês "Libertarianism", já que nos Estados Unidos, a acepção de liberal, hoje, é utilizada para definir os apoiadores de um crescimento do poder governamental em prol do estado de bem estar social. Essencialmente, os libertários acreditam na expansão máxima tanto das liberdades sociais quanto econômicas.
Para esclarecermos algumas dúvidas e conversarmos mais a fundo sobre as ideias libertárias, convidamos Juliano Torres, Diretor Executivo dos "Estudantes Pela Liberdade" e membro do Conselho Internacional do "Students For Liberty". Torres é uma das vozes responsáveis pela expansão do movimento libertário no país. Sua aproximação com o libertarianismo remonta ao ensino médio. “Não consigo definir quando exatamente virei libertário porque depois da leitura de alguns livros antes da faculdade, acabei apenas confirmando empiricamente e teoricamente algo que eu já acredita, talvez por compartilhar dos valores. Lembro de que no ensino médio eu era chamado de neoliberal pelos professores de geografia e história, e também lembro me de sempre recursar, mostrando que também discordava desse outro ponto de vista. Desse "ativismo" escolar acabei ajudando a criar algumas organizações que se dedicam a expandir as ideias de liberdade no Brasil, mais porque acredito que as pessoas merecem vislumbrar uma alternativa do que necessariamente para tentar mudar o Brasil. Seria ótimo mudar o Brasil também, mas creio que é mais importante libertar os indivíduos - no mundo todo - das amarras estatais e coletivistas.”
Segue, abaixo, a entrevista completa.
Juliano, você poderia dar uma breve descrição das ideias libertárias – o que tratam e o que defendem – para os leitores do Portal O Trem?
Juliano Torres: A história da humanidade pode ser vislumbrada como uma luta entre a tirania e a liberdade. Felizmente a liberdade vem triunfando nos últimos séculos, mesmo que de forma lenta. E as ideias libertárias, uma releitura e continuação dessas ideias de uma sociedade livre e próspera, se dedicam a continuar a expandir esse círculo de liberdade, permitindo que os indivíduos possam realizar suas próprias escolhas e buscar sua felicidade como bem entender, desde que não fira o igual direito de outras pessoas.
A que você atribui à visão negativa de muitos setores da opinião pública em relação às ideias liberais?
Juliano Torres: Acredito que é um misto de desconhecimento das ideias combinado com a inabilidade de muitos defensores das ideias. O desconhecimento porque a maior parte das pessoas nunca parou pra pesquisar e entender o que é esse tal de liberalismo (usam até o espantalho do neoliberalismo). Por outro lado, muitos liberais foram muito pessimistas quanto ao sucesso das ideias no longo prazo e acabaram se aliando ao movimento conservador, perdendo a sua essência e confundindo o público, tornando a defesa da liberdade em simplesmente anti-socialismo e ataque a algum governo de esquerda que esteja no poder. Agora que a defesa positiva da liberdade está voltando a tona, creio que esse problema esteja sendo resolvido.
De que maneiras você imagina ser possível desconstruir essa visão?
Juliano Torres: Educação, mas não no sentido de escolarização. Educação no sentido de maior divulgação das ideias em todos os setores da sociedade, por meio de todos os meios. É necessário diferenciar o novo movimento pela liberdade do fusionismo (aliança liberal-conservadora) que imperou no século 20; que provavelmente ocorreu devido ao surgimento da União Soviética.
Em 2012 eu estive presente na I Conferência Nacional dos Estudantes Pela Liberdade, de lá para cá foi realizada uma série de outras conferências e ações. Conte-nos um pouco sobre esses eventos.
Juliano Torres: Realizamos em 2013 uma segunda conferência nacional com 280 estudantes, 3 conferências regionais e centenas de outras palestras e eventos por todo o Brasil. A ideia por trás das conferências é de integração e engajamento dos membros, já que na maior parte das vezes os membros acabaram virando amigos, não se restringindo apenas aos grupos dentro das universidades. Já as palestras e outras atividades de ativismo servem para explicar para as outras pessoas o que defendemos, e que tem sido muito útil em atrair ainda mais membros para se juntar a causa.
Como você avalia os impactos até agora gerados por essas conferências?
Juliano Torres: O primeiro deles é o visual-quantitativo. Nunca tivemos tantos eventos liberais no Brasil, e agora temos até o problema de mais de um evento no mesmo dia na mesma cidade. É difícil mensurar o restante, mas parece que estamos a caminho de alterar a visão de mundo e sociedade da próxima geração no Brasil. Ainda há muito a ser feito, mas é cada dia mais fácil encontrar pessoas aleatórias que já compartilham dos nossos valores, e esses eventos e atividades tem a ver com isso.
Ainda que sejam conceitos amplos, pode comentar um pouco sobre as convergências e divergências entre o pensamento libertário e o pensamento conservador?
Juliano Torres: Não sou um especialista em conservadorismo, mas na minha visão eles dão muito mais valor a tradição, estabilidade e ordem do que o restante da população. Já os libertários estão mais abertos a inovação e experimentação, tolerando e recebendo positivamente outros estilos de vida e novas formas de organização social, desde que isso implique em expandir o campo de autonomia dos indivíduos. Além disso, creio que posso definir que o movimento conservador é otimista no curto prazo, pois acredita que pode alterar o estado de coisas (como ganhar uma eleição ou mudar uma lei), enquanto o movimento libertário é otimista no longo prazo, sabendo que é necessário mudar as ideias de uma geração para a outra, sendo até mesmo pessimista ou neutro no curto prazo, deixando para lá o gasto de recursos nisso, ao contrário dos conservadores que são pessimistas no longo prazo.
Qual a sua opinião sobre as chamadas “jornadas de junho”?
Juliano Torres: Creio que apenas mostra que as pessoas perderam o otimismo desmedido que estavam tendo com o Brasil, mas não vai se transformar em nenhuma medida concreta.
Que leituras e materiais de modo geral você indica para o interessado em conhecer mais a fundo as ideias liberais?
Juliano Torres: Para quem quer algo mais rápido e leve, indico os vídeos e artigos do Portal Libertarianismo, Mises Brasil e Ordem Livre. Para quem tem disponibilidade para ler um livro, nada melhor do que A Revolta de Atlas (Ayn Rand) e O Manifesto Libertário (David Boaz). De forma adicional, vale a pena entrar em contato com o coordenador dos Estudantes Pela Liberdade mais próximo e comparecer a um dos eventos, que será bem mais divertido e explicativo para entender o que defendemos.
Juliano, eu agradeço pela entrevista e deixo o espaço para algo que você queira acrescentar.
Juliano Torres: Eu que agradeço! Como mensagem final gostaria que cada um analisasse o seu entorno e começasse a pensar em como os indivíduos estão sendo sufocados pelo peso estatal e restrição de suas escolhas, e que devido a isso, não conseguimos desenvolver até hoje uma sociedade mais livre e próspera. Liberdade é o único caminho, mas ela precisa ser avançada por cada um até que se torne uma realidade. Obrigado.
João F. Barros

0 comentários:
Postar um comentário