sexta-feira, 20 de setembro de 2013


Ponto de encontro destes jovens, a Praça Oswaldo Cruz já está marcada pela aglomeração e bagunça de adolescentes que contam com o apoio de jovens maiores de idade para comprar bebidas alcoólicas nas lojas de conveniências dos postos mais próximos da região, isto quando não são os mais novos que conseguem comprar para consumirem juntos longe do alcance dos pais e desimpedidos pela polícia local, que nada pode fazer, para consumirem álcool e em alguns casos que reparamos, drogas como maconha, com o forte cheiro que é possível sentir ao passar ao lado dos grupos.

Podíamos afirmar que naquela praça havia mais de cem pessoas. De grupos em grupos, garrafas de vodka, copos cheios e narguilés passavam de boca em boca, sem contar o cheiro de maconha. Encontramos o combustível que aquecia a praça naquela noite fria.

Questionamos a adolescente Nayara (14), que estava no local. Perguntamos com que idade ela bebeu pela primeira vez. Nayara nos respondeu: “A primeira vez que bebi foi com 13 anos, com amigos”. Seus pais sabem que você bebe? “Sim. Sabem sim. Inclusive bebo em casa com eles, mas moderadamente”. Nayara, por que você consome bebidas alcoólicas? “A bebida me deixa mais solta e alegre”. 

Com isto, ela nos disse que todo final de semana ou quando está reunida com amigos bebendo ela fica com mais de um garoto numa só noite.

Grupo de adolescentes na Praça Oswaldo Cruz/Foto: Thiago Carvalho
Ainda no grupo de Nayara, concordou em nos dar uma entrevista o também menor de idade, Arthur, com 15 anos. Ele nos contou claramente que ingeriu o primeiro gole de bebida em fevereiro deste ano: ”Atualmente, bebo aos finais de semana, com os meus amigos”. Quando questionado sobre a influência, ele nos informou que entre uma saída e outra com amigos teve o interesse em provar bebidas. Afirmou também, que é o que menos bebe do grupo: “O prazer, a felicidade e a alegria que o álcool me trás é inexplicável”. Afirma Arthur. Você tem alguma preferência? “Não. Gosto do modo geral, exceto cerveja”. Para ele, a bebida é amarga. “Gosto mais de bebidas quentes”. Arthur, seus pais sabem que você bebe? “Eles nem sonham que eu bebo. Acho que se descobrirem não me deixam mais sair de casa”. 

Naquele ponto, nos aproximamos de dois vendedores ambulantes de milho. Perguntamos se podíamos entrevistá-los, e concordaram com a condição que não fossem filmados ou fotografados, com receio represália da polícia, por conta de estarem vendendo “ilegalmente”.

Simpáticos, Lucio Felix e Marcio Inácio levaram a entrevista do inicio ao fim respondendo todas as perguntas descontraindo-se e revelando informações de suma importância para nossa investigação.

Toda sexta-feira eles estacionam seus carrinhos de milho verde. Lúcio e Márcio nos informaram que ali jovens de classe média alta se encontram para beber. Perguntamos se eles sabiam como os adolescentes menores de idade ali presente conseguiam as bebidas. Os humildes vendedores, considerados vendedores ilegais pela polícia, responderam: “São os maiores. Pode ver”. Apontaram-nos alguns homens que aparentavam realmente serem maiores. “Aquele cara é maior de idade. São eles que compram em bares e lojas de conveniências em postos de combustível e de mão em mão as garrafas vão passando. E assim, fica fácil dos menores beberem”.

Em abril foi aprovado pelo Senado o projeto de lei PLS 508/11 que proíbe e criminaliza a venda de bebidas alcoólicas para menores. Durante a reportagem avistamos um casal de policial distantes dos jovens. Questionado sobre o que poderia fazer no local o policial Brandão nos revela: “Imagina se chego ali saco o revólver e disparo para o alto para intimidá-lo? No dia seguinte, estaria recebendo uma punição verbal ou disciplinar do meu superior. Muitos ali, quase todos, pertencem à classe A da sociedade. São filhos de papai. A legislação é cada vez mais frouxa.”.

O ÁLCOOL NA MENTE E NO CORPO HUMANO


Existem diversos fatores que levam o jovem ao consumo de bebidas alcoólicas. Dentre elas, pressão proposital ou não, por amigos ou familiares, e em alguns poucos casos, o fator genético.

O consumo de bebida alcoólica causa problemas sérios à saúde. Corpo e mente são afetados lentamente na vida de quem a consume. Entre diversas complicações, a pessoa que ingere o álcool pode ter dores de cabeça, perda de memória, alterações de humor e sono, aumento de citosinas, desidratação na boca e sede, náuseas, vômito e distúrbios gastrintestinais.

Segundo o Dr. Antonio Grimalojj Junior, o acesso precoce dos jovens a bebida alcoólica pode causar diversos estímulos futuros, como: agressividade, maior tendência ao uso de drogas ilícitas, tendência a obter doenças sexualmente transmissíveis e no caso das mulheres, gravidez precoce. 

AS ESTATÍSTICAS MAIS RECENTES


Segundo matéria divulgada na revista Época, os jovens já correspondem 10% da população que bebem muito, somando 3,5 milhões de jovens. Uma pesquisa realizada no ano passado pelo Centro Brasileiro de Informação sobre Drogas revelou que em cinco anos a ingestão de bebidas alcoólicas aumentou 30% entre jovens de 12 a 17 anos e 25% entre jovens de 18 a 24 anos.

Ariane Freitas

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